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quarta-feira, junho 3, 2026

Reforma trabalhista de Milei permite jornada de 12 horas, cria banco de horas sem pagamento, limita direito à greve e provoca paralisação com 90% de adesão

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Governo afirma que reforma trabalhista de Milei formaliza informais e reduz custos de contratação, sindicatos alertam retrocesso de cem anos em direitos trabalhistas

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada de sexta-feira, uma ampla proposta de mudança nas regras do trabalho. O texto, com mais de 200 artigos, altera pontos centrais das relações laborais e vai à votação final no Senado após ajustes feitos pelos deputados.

A proposta, chamada pelo governo de reforma trabalhista de Milei, permite aumentar a jornada diária de 8 para 12 horas, cria um banco de horas com compensações em vez de pagamento imediato e estabelece limites ao exercício do direito de greve.

As reações foram imediatas nas ruas e nas centrais sindicais, com uma greve nacional e protestos que, segundo a entidade organizadora, alcançaram 90% de adesão, conforme informação divulgada pelo Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

Jornada, banco de horas e pagamento

A proposta da reforma trabalhista de Milei amplia a jornada diária para 12 horas, mantendo 48 horas semanais, e cria um banco de horas que permite compensação em vez de pagamento imediato de horas extras. Na tramitação do Senado foi retirada a previsão original de pagar salários com moradia ou alimentação, garantindo que o trabalhador receba o pagamento em dinheiro, em moeda nacional ou estrangeira.

Na Câmara, os deputados também suprimiram a possibilidade, prevista no texto inicial, de reduzir o salário em 50% durante afastamentos por motivos de saúde. Como o projeto foi modificado, seguirá novamente ao Senado para nova análise.

Limites ao direito de greve e reação sindical

Um ponto central e controverso da reforma trabalhista de Milei é a limitação do direito à greve. O projeto prevê que assembleias em horário de trabalho só ocorram com prévia autorização do empregador, e delimita paralisações em serviços essenciais a 25% e em serviços transcendentais a 50% do total de trabalhadores.

Foram enquadrados como transcendentais setores ligados à exportação, indústria alimentar, sistema bancário e transporte de pessoas, entre outros. A Confederação Geral do Trabalho, CGT, liderou uma paralisação nacional de 24 horas contra o projeto, e, segundo a organização, a greve teve 90% de adesão.

O co-secretário da CGT, Jorge Sola, afirmou, citando os riscos da reforma, “Este projeto de lei nos faz retroceder 100 anos. Cem anos em direitos individuais, em direitos coletivos. É uma busca que se centra, essencialmente, na transferência de recursos econômicos dos trabalhadores para o setor empregador”.

Outras mudanças e impactos previstos

A proposta revoga estatutos profissionais específicos, como os de jornalistas, cabeleireiros, motoristas privados e viajantes comerciais, e permite que empresas negociem condições inferiores às acordadas em negociações nacionais de categorias. A reforma também disciplina trabalhadores de aplicativos como “prestadores independentes”, sem vínculo empregatício.

O projeto cria ainda o Fundo de Assistência Laboral (FAL), pensado para financiar demissões, medida criticada por sindicatos que afirmam que ela reduziria custos para demitir e desviaria recursos da Seguridade Social, prejudicando a previdência.

Além disso, o texto prevê transferência de competências da Justiça Nacional do Trabalho para a justiça comum ou federal, possibilita divisão de férias segundo exigências do empregador, com períodos mínimos de 7 dias consecutivos, e revoga regras que obrigavam as empresas a arcar com custos do trabalho remoto.

Posição do governo e próximos passos

Defensores da proposta, como o deputado Gabriel Bornoroni, do partido do presidente, sustentam que a reforma trabalhista de Milei aumentará a formalidade e reduzirá os custos para contratar, afirmando “Esta lei visa formalizar 50% dos trabalhadores informais. Precisamos de uma nova lei trabalhista que inclua todos os trabalhadores na Argentina; só através do trabalho avançaremos”.

Com as mudanças aprovadas na Câmara, o projeto retornará ao Senado, onde seguirá a tramitação. A aprovação final e a promulgação podem alterar significativamente o mercado de trabalho argentino, alimentando debates entre governo, sindicatos e setores produtivos sobre os efeitos práticos das mudanças.

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