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quarta-feira, junho 3, 2026

Morte de Khamenei repercute entre aliados e adversários do Irã, com reações da Rússia, China, EUA, Israel e grupos do Oriente Médio exigindo vingança e contenção

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Morte de Khamenei acirra tensões no Oriente Médio, provoca respostas de potências e pressiona por uma transição temporária no comando iraniano

A confirmação da morte de Khamenei provocou uma onda imediata de reações na região e no mundo, com aliados prometendo vingança e rivais defendendo mais ataques.

No Irã, autoridades anunciaram um Conselho de Liderança Temporária para garantir continuidade do governo, enquanto líderes internacionais pedem contenção.

As declarações oficiais e compromissos de retaliação foram divulgados em escala global, conforme informação divulgada pela RTP.

Reações de potências e declarações diretas

A Rússia condenou os assassinatos e prestou condolências ao povo e ao governo iraniano, com o presidente Vladimir Putin afirmando que, em sua memória, “Khamenei será lembrado como um estadista proeminente, que deu uma enorme contribuição pessoal ao desenvolvimento das relações amistosas entre a Rússia e o Irã, elevando-as ao nível de uma parceria estratégica abrangente”.

O governo da China definiu o ataque como uma grave violação da soberania do Irã e declarou que “A China se opõe firmemente e condena veementemente esse ato. Exigimos a interrupção imediata das operações militares, o fim da escalada da tensão e um esforço conjunto para manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo em geral”.

Do lado de Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a continuidade das operações militares e declarou que “Nos próximos dias, atacaremos milhares de alvos do regime terrorista”, afirmando também que seu objetivo político é criar condições para que o povo iraniano se liberte, em suas palavras, “Criaremos as condições para que o bravo povo do Irã se liberte das correntes da tirania”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu às possíveis retaliações do Irã com uma advertência severa, “É melhor que não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”.

Resposta de grupos do Oriente Médio e promessas de vingança

Militantes e movimentos alinhados ao Irã reagiram com mensagens duras após a morte de Khamenei. O Hezbollah prometeu enfrentar a agressão, e seu líder Naim Qassem afirmou que o grupo “cumprirá o seu dever enfrentando a agressão”.

O Hamas classificou o ataque como um “crime hediondo”, enquanto a Jihad Islâmica qualificou a ação como um “crime de guerra” cometido pelos Estados Unidos e por Israel, em um “ataque traiçoeiro e mal-intencionado”.

Os Huthis do Iêmen descreveram Khamenei como mártir e disseram que seu legado inspirará “uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel”, declarando ainda que o episódio foi um “crime atroz” e uma “violation flagrante de todas as leis e normas internacionais”.

Em comunicado, os Huthis afirmaram, “Com profundo pesar e dor, o Conselho Político Supremo [dos huthis] recebeu a notícia do martírio do líder da Revolução Islâmica no Irã. Travou uma longa luta de jihad [guerra santa] contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas”.

Situação interna no Irã e liderança temporária

O governo iraniano instituiu o Conselho de Liderança Temporária para garantir a continuidade do comando, com funções que incluem o comando das Forças Armadas e decisões de segurança e política externa.

O conselho é formado por Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, chefe do judiciário, e o aiatolá Alireza Arafi, jurista do Conselho dos Guardiães, e deve manter as funções até que a Assembleia de Especialistas eleja um sucessor.

O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que a morte de Khamenei é uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e falou em “vingança legítima” contra os Estados Unidos e Israel, elevando o tom das possíveis retaliações.

Apelos e preocupações de organismos internacionais

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o uso da força e alertou que a escalada militar constitui uma “grave ameaça à paz e à segurança internacionais”, convocando reunião de emergência do Conselho de Segurança.

A Agência Internacional de Energia Atômica acompanhou a situação nas instalações nucleares da região, informando que “A AIEA mantém contato permanente com os países da região e, até o momento, não há evidências de qualquer impacto radiológico. A Agência continuará monitorando a situação”.

O Papa pediu o fim da “espiral de violência”, dizendo que “A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte”, enquanto autoridades de saúde alertaram para os riscos humanitários decorrentes da escalada.

Governos de vários países, incluindo o Brasil, ainda não se manifestaram oficialmente sobre a confirmação da morte de Khamenei além de manifestações de preocupação com a escalada e apelos por contenção.

O que vem a seguir

A curto prazo, a região deve observar movimentações militares, mensagens de retaliação de grupos pró-iranianos e decisões políticas dentro do Irã sobre a sucessão.

Ao mesmo tempo, organismos internacionais, potências regionais e aliados continuam a pedir moderação, enquanto países como Rússia e China condenam o ataque e pedem o fim das hostilidades.

O desfecho dependererá de como os atores estatais e não estatais responderão às provocações, e das pressões diplomáticas para evitar uma escalada ainda maior após a morte de Khamenei.

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