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Em Seul, Lula defende a inovação como eixo das relações Brasil-Coreia, propondo integração produtiva, transferência de tecnologia e valorização de minerais críticos para agregar valor
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do encerramento de um fórum empresarial em Seul que reuniu 230 empresas dos dois países, e colocou a inovação como prioridade nas relações bilaterais, especialmente em setores intensivos em conhecimento.
Ao longo da visita de Estado, foram assinados dez atos de cooperação, entre eles um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco em indústria, tecnologia e agricultura, tema central das conversas com parceiros sul-coreanos.
O discurso do presidente destacou oportunidades em semicondutores, baterias, mineração estratégica, saúde, aeroespacial e cosméticos, e tratou da importância de transferir tecnologia e agregar valor no Brasil, conforme informação divulgada pelo Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.
Parcerias tecnológicas e minerais críticos
Na abertura do fórum, Lula citou a complementaridade entre a indústria coreana e os recursos brasileiros, ao dizer, textualmente, “A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos e é um parceiro confiável em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra”.
O presidente reforçou que o país não quer ser apenas fornecedor de matéria-prima, lembrando, em outra passagem, “O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”.
Saúde, biossegurança e pesquisa
Lula apontou possibilidades de fabricação conjunta de vacinas, fármacos e insumos médicos, vinculando a agenda de inovação à expansão da pesquisa e desenvolvimento na Coreia e ao avanço de infraestrutura brasileira.
O presidente mencionou o laboratório de biossegurança Órion, “o único do mundo conectado a um acelerador de partículas, o Sirius”, e citou cooperação entre instituições como a Fiocruz, como elementos para desenvolver diagnósticos, prevenir epidemias e buscar soluções para doenças.
Comércio, investimentos e integração produtiva
O fluxo comercial entre Brasil e Coreia gira em torno de US$ 11 bilhões, inferior ao recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011, e Lula comentou, “Significa que nós já fomos melhores em negócios” durante seu discurso aos empresários presentes.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações, ApexBrasil, identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros na Coreia, em segmentos que vão de alimentos e bebidas a químicos, e as conversas bilaterais incluíram a promessa de reuniões ministeriais regulares para fortalecer as relações econômicas.
Entre as iniciativas para atrair investimentos, o presidente citou programas públicos como o Programa de Aceleração de Crescimento, o Programa Nova Indústria Brasil, o Programa Mobilidade Verde e Inovação e o Plano de Transformação Ecológica, apontando condições vantajosas para negócios.
Cultura, criatividade e potencial para cosméticos
Lula destacou também a dimensão cultural e criativa na parceria, lembrando que o setor criativo no Brasil já responde por mais de 3% do PIB e que, na Coreia, a economia criativa superou exportações tradicionais.
O presidente afirmou, em trecho do discurso, “Do funk brasileiro ao K-Pop, de Parasita a Agente Secreto, das telenovelas aos K-Dramas, nossa música e nossa produção audiovisual estão conquistando os quatro cantos do mundo” e defendeu que a união entre a biodiversidade brasileira e a tecnologia coreana pode ampliar exportações de cosméticos, setor que em 2025 superou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em exportações brasileiras.
Em diferentes pontos da agenda, Lula voltou a afirmar que o papel do governo é criar condições para que empresários façam negócios, e disse, citando o agronegócio, “Quando o povo da Coreia quiser ter acesso à proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender à demanda da Coreia”.