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Presidente defende que o Sul Global se una para negociar com potências, superar legados coloniais, integrar BRICS ao G20 e ampliar comércio em moedas locais
Em Nova Delhi, no encerramento de sua visita à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é hora de os países do Sul Global se unirem para alterar a lógica econômica internacional.
Segundo Lula, a união entre nações em desenvolvimento, como Brasil e Índia, permitiria negociar em bloco com superpotências e reduzir assimetrias históricas no comércio e na tecnologia.
O presidente também destacou a necessidade de parcerias que agreguem valor local às matérias-primas, e defendeu maior cooperação política e econômica entre os países do Sul Global, conforme informação divulgada pelo g1.
União do Sul Global e a estratégia de barganha coletiva
Lula afirmou que, em negociações bilaterais com potências, a tendência é de perda para países menores, por isso, em sua visão, é preciso formar blocos de negociação. Em coletiva, ele disse, “Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”.
O presidente vinculou essa proposta a um diagnóstico histórico, ao mencionar 500 anos de colonialismo, e ao argumento de que muitos países, na prática, continuam dependentes tecnologicamente e economicamente.
Para Lula, somar potencialidades entre países do Sul Global cria maior capacidade de investimento, transferência tecnológica e força política, condições que permitiriam disputar melhores termos em contratos e acordos internacionais.
BRICS, moedas locais e o objetivo de reduzir dependências
Sobre o papel do BRICS nesse processo, Lula afirmou que o bloco tem ajudado a dar forma a uma nova lógica econômica global. Ele disse, “É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os EUA têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30”.
O presidente negou que haja defesa de uma moeda única do BRICS, e explicou que a ideia é facilitar o comércio entre os membros usando moedas locais, para reduzir custos e dependências. Em suas palavras, “Nunca defendemos criar uma moeda dos BRICS. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os EUA não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”.
Esse posicionamento busca diminuir vulnerabilidades cambiais e tarifas de conversão, e é apresentado por Lula como um passo concreto do Sul Global para aumentar autonomia econômica e ampliar fluxos comerciais intrabloco.
Multilateralismo, ONU e relações com Estados Unidos
Lula reafirmou o compromisso com o multilateralismo e com o fortalecimento da ONU, ao defender que o organismo recupere legitimidade e eficácia para mediar conflitos. Ele afirmou que não se pode admitir que países atuem unilateralmente para interferir na vida de outras nações, citando crises recentes como exemplos que exigem respostas multilaterais.
Na coletiva, o presidente ressaltou a importância da ONU para manter a paz e a representatividade global, e relatou ter contatado diversos líderes mundiais para buscar respostas coordenadas sobre Venezuela, Gaza e Ucrânia.
Sobre os Estados Unidos, Lula afirmou que pode haver cooperação, desde que exista interesse mútuo no combate ao crime organizado, e disse que a Polícia Federal brasileira deve ter parcerias com países dispostos a enfrentar narcotráfico e organizações transnacionais.
Relação com a Índia, mineração e a agenda na Ásia
Ao comentar as conversas com o primeiro-ministro Narendra Modi, Lula disse que os diálogos foram focados na relação comercial e no fortalecimento econômico mútuo, com ênfase em transformar recursos no próprio Brasil. Ele afirmou que empresários indianos demonstraram otimismo e intenção de aumentar investimentos no país.
O presidente também voltou a abrir a porta para que outros países explorem minerais críticos e terras raras no Brasil, desde que as operações agreguem valor no território nacional. Em suas palavras, o processo de transformação precisa acontecer no Brasil, e não apenas a exportação de matéria-prima.
Após a Índia, Lula seguiu para a Coreia do Sul, onde participará de uma visita que prevê a assinatura de um Plano de Ação Trienal para 2026-2029, com objetivo de elevar o relacionamento a uma parceria estratégica e ampliar cooperação em tecnologia e comércio.