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quarta-feira, junho 3, 2026

Alívio no RJ: 92 Municípios Fluminenses Recebem Nova Vacina Contra a Dengue para Profissionais de Saúde

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Vacina contra a dengue chega aos municípios fluminenses para proteger os profissionais de saúde

Uma nova etapa na luta contra a dengue se inicia no estado do Rio de Janeiro. A partir desta segunda-feira, 23, os 92 municípios fluminenses começarão a receber as doses da nova vacina contra a doença, produzida pelo Instituto Butantan. A distribuição está sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ).

Ao todo, o estado recebeu um lote inicial de 33.364 doses. Deste total, a capital fluminense, Rio de Janeiro, será contemplada com 12.500 doses, sendo a maior beneficiada na distribuição inicial. A chegada deste imunizante representa um passo importante na proteção da população contra os sorotipos do vírus.

Conforme as determinações do Ministério da Saúde, a prioridade neste primeiro momento é para os profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso inclui desde médicos e enfermeiros até auxiliares administrativos e de apoio que trabalham diretamente nas unidades de saúde. Conforme informação divulgada pela SES-RJ, a ampliação para outros públicos ocorrerá posteriormente, conforme a disponibilidade de novas doses.

Profissionais da Linha de Frente São os Primeiros a Serem Vacinados

O grupo inicial de vacinados abrange uma gama diversificada de profissionais essenciais para o funcionamento do SUS. Estão incluídos médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos e integrantes de equipes multiprofissionais, como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE) também fazem parte deste primeiro contingente a receber a vacina contra a dengue.

Keli Magno, gerente de Imunização da Secretaria, destacou que a vacina do Instituto Butantan é licenciada para uso na faixa etária de 12 a 59 anos. Ela explicou que, considerando que outra vacina já disponível é preconizada para adolescentes de 10 a 14 anos, a recomendação é que o imunizante do Butantan seja administrado em pessoas de 15 a 59 anos. Essa estratégia visa otimizar a cobertura vacinal e proteger os grupos mais vulneráveis.

A estratégia de vacinação será escalonada e gradativa. Iniciando pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde, o plano é avançar progressivamente para outros grupos, à medida que mais doses forem disponibilizadas pelo fabricante. O objetivo é, futuramente, contemplar todos os adolescentes a partir de 15 anos que ainda não foram vacinados com o outro imunizante disponível. A vacina, que é de dose única, protege contra os quatro sorotipos da doença.

Preocupação com Novos Sorotipos e Ações de Prevenção Essenciais

No estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 da dengue têm sido os mais frequentes. No entanto, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) expressa preocupação com a possibilidade de surgirem casos do tipo 3, que não circula na região desde 2007. A ausência de contato prévio com esse sorotipo pode gerar um cenário de vulnerabilidade para parte da população, especialmente para aqueles que nunca foram expostos a ele. Embora essa variante circule em estados vizinhos, sua propagação no Rio de Janeiro ainda não ocorreu, mas o monitoramento é constante.

Apesar de os indicadores da dengue no estado ainda se encontrarem em níveis baixos, a SES-RJ reforça a importância das ações de prevenção, especialmente após o período de Carnaval. As chuvas intensas, aliadas ao calor do verão, criam um ambiente propício para a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor não só da dengue, mas também da chikungunya e da zika. A grande movimentação de turistas durante o Carnaval também pode contribuir para a disseminação do vírus.

Dados recentes do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ indicam que, até o dia 20 de fevereiro deste ano, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem óbitos confirmados. Para chikungunya, foram 41 casos prováveis com 5 internações. Casos de zika ainda não foram confirmados no território fluminense.

A recomendação para a população é clara: dedicar dez minutos por semana para uma varredura completa em suas residências. É fundamental verificar a vedação de caixas d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar qualquer acúmulo de água em bandejas de geladeiras ou outros recipientes. Essas ações simples são cruciais para impedir a proliferação do mosquito.

Monitoramento Contínuo e Ferramentas de Qualificação na Saúde

O monitoramento da dengue, que é a arbovirose de maior circulação no estado, é feito por meio de um indicador composto. Este indicador analisa atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), solicitações de leitos e a taxa de positividade dos exames. Os dados podem ser consultados em tempo real na plataforma MonitoraRJ (monitorar.saude.rj.gov.br). Atualmente, todos os 92 municípios fluminenses encontram-se em situação de rotina em relação à doença.

O Ministério da Saúde já havia iniciado em 2023 o fornecimento da vacina Qdenga, de fabricação japonesa. No estado do Rio de Janeiro, mais de 758 mil doses foram aplicadas nesse período. Do público-alvo original, de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal com a segunda dose. A Secretaria de Saúde também investe em videoaulas e treinamentos para qualificar a rede de saúde, e foi pioneira na criação de uma ferramenta digital que uniformiza o manejo dos casos de dengue, disponibilizada para outros estados brasileiros.

Adicionalmente, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames mensais, garantindo a detecção ágil não apenas da dengue, mas também de zika, chikungunya e da febre do Oropouche. Esta última, uma arbovirose transmitida pelo maruim, não pelo mosquito Aedes aegypti, reforça a capacidade do estado em diagnosticar diversas doenças transmitidas por vetores.

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