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Novas estimativas indicam que limite mínimo para transmissão pode cair para 2,5°C, reduzindo barreiras climáticas e aumentando a janela de risco do Chikungunya em áreas temperadas
Um estudo científico alerta para a possibilidade de aumento nas infecções pelo Chikungunya na Europa à medida que as temperaturas sobem, o que pode ampliar a presença dos mosquitos transmissores durante mais meses do ano.
A pesquisa associa o aquecimento global à redução do tempo de incubação do vírus em mosquitos do gênero Aedes, e estima que novas áreas possam ficar vulneráveis a surtos, inclusive em países do sul da Europa.
Os dados e análises foram divulgados em artigo publicado no Journal of Royal Society Interface e comentados pelo jornal britânico Guardian, conforme informação divulgada pelo jornal britânico Guardian
O que mudou nas estimativas de temperatura
Os autores avaliaram o impacto da temperatura no tempo de incubação do vírus no mosquito Aedes albopictus, e concluíram que a temperatura mínima que permite infecção pode estar em torno de 2,5°C.
Além disso, apontaram que a temperatura máxima favorável à transmissão varia entre 13°C e 14°C, patamar bem inferior às estimativas anteriores, que indicavam limites mínimos entre 16°C e 18°C.
Essas novas estimativas significam que o período e a extensão geográfica em que o Chikungunya pode ser transmitido na Europa devem ser maiores do que se previa.
Riscos regionais e países mais vulneráveis
A análise destaca que a situação é mais alarmante no sul da Europa, e identifica Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal como os seis países sob maior risco de epidemias associadas ao Chikungunya.
Os cientistas estimam que o vírus pode vir a se espalhar por até 29 países no continente, à medida que mosquitos do tipo Aedes aegypti e Aedes albopictus se estabeleçam em novos territórios com invernos mais amenos.
O principal autor do estudo, Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia, afirmou que ‘é apenas uma questão de tempo’ até que a realidade mude em regiões mais ao norte, e alertou que o ritmo de aumento das temperaturas na Europa ‘é aproximadamente o dobro’ da média global.
Impactos na saúde e formas de transmissão
O Chikungunya provoca dores intensas nas articulações, que podem durar anos, e pode ser potencialmente fatal em crianças e idosos.
Em declaração citada pelos autores, a Dra. Diana Rojas Alvarez, que lidera a equipe da OMS sobre vírus transmitidos por picadas de insetos e carrapatos, advertiu que ‘a doença transmitida pelo Chikungunya pode ser devastadora, com até 40% das pessoas afetadas a sofrerem de artrite ou dores agudas, mesmo cinco anos após a contaminação’.
O vírus não se transmite diretamente entre pessoas, mas já foram documentados casos de transmissão materno-fetal na gravidez e no período perinatal, e relatos de transmissão por transfusões de sangue contaminado, segundo artigo publicado no portal do Hospital da Luz, redigido pelo médico Saraiva da Cunha.
O Chikungunya foi detectado pela primeira vez em 1952 no Planalto Makonde, na Tanzânia, e no ano anterior vários países europeus, como França e Itália, registraram centenas de casos após longos períodos com poucas ocorrências.
O que autoridades e população devem fazer
Autoridades de saúde são orientadas a criar e fortalecer sistemas de vigilância para detectar surtos mais cedo, e a planejar ações de controle dos mosquitos, incluindo campanhas de monitoramento e controle populacional.
A OMS também recomenda medidas de prevenção à população, como a eliminação de água parada, uso de roupas compridas e de cores claras, e aplicação de repelentes, para reduzir picadas de mosquitos vetores do Chikungunya.
Os autores do estudo afirmam que a pesquisa fornece ferramentas para que autoridades locais saibam quando e onde agir, e alertam que o aquecimento global tende a prolongar e intensificar surtos, especialmente no sul europeu.