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Curbelo afirma que as medidas de Trump sobre petróleo configuram ‘política genocida’, e diz que bloqueio histórico agrava apagões, impacta hospitais e turismo
O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou como genocídio o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, em entrevista concedida à imprensa na embaixada em Brasília.
Segundo o diplomata, as novas restrições, editadas em 29 de janeiro pelo presidente norte-americano, visam impedir que países forneçam petróleo a Cuba, e teriam efeitos imediatos sobre a geração de eletricidade, o atendimento em hospitais e a atividade turística.
As declarações e dados sobre a crise e as respostas de Havana foram detalhadas por Curbelo em conversa com jornalistas, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Impacto energético e a acusação de genocídio
Curbelo disse que, diante do aperto das sanções, “Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio“. Para o embaixador, a meta das novas medidas é “subjugar Cuba”, e “Dizemos que é uma medida que constitui genocídio declarado“.
O texto publicado pelo governo dos EUA em 29 de janeiro, classifica Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington, e prevê a imposição de tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo à ilha. A situação agrava uma crise que ocorre em meio a um embargo de décadas, que a reportagem informou durar 66 anos.
O relatório da Agência Internacional de Energia citado pela fonte afirma que Cuba “dependia, até 2023, de derivados de petróleo para cerca de 80% da energia consumida, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE)“, uma dependência que torna o país vulnerável a medidas que atinjam o abastecimento de combustíveis.
Medidas adotadas por Cuba e limites técnicos
Na entrevista, o embaixador relatou que Havana adotou “medidas de austeridade extremas” para priorizar setores essenciais, como hospitais, escolas e residências de pessoas com necessidades especiais.
Curbelo informou que o país tem investido na expansão da energia solar, e que, no ano anterior, “conseguimos instalar painéis solares para gerar 1.000 megawatts. Essa instalação nos permitiu ter agora quase 40% da geração de eletricidade diurna do país proveniente de painéis solares“.
Ele acrescentou que esse esforço permitiu “aumentar a porcentagem da geração total de eletricidade nacional, a partir de energia solar fotovoltaica, de 3% para 10%“, mas ressaltou que ainda persiste um “déficit muito agudo” na geração por falta de combustível e de capacidade de armazenamento, e que parte da infraestrutura é obsoleta.
Efeito sobre turismo, transporte e economia
O embaixador destacou que o turismo é uma fonte vital de divisas para Cuba, e que restrições ao combustível impactam diretamente a logística do setor. Ele citou casos de companhias aéreas que suspenderam voos por falta de combustível para retornar aos países de origem.
Curbelo afirmou que as medidas americanas também têm o objetivo de interromper o fluxo turístico e “impedir a entrada de dinheiro” no país, o que, na avaliação dele, faz parte da estratégia que motivou a caracterização de genocídio, por “privar o povo cubano de seus meios de subsistência”.
Reações internacionais e solidariedade
Segundo a reportagem, houve amplia rejeição internacional às novas restrições. O embaixador citou declarações de países como Rússia e China, e ações práticas, como a doação chinesa citada na entrevista, “A China doou 70 mil toneladas de arroz para Cuba“.
Curbelo também mencionou apoio regional, lembrando que o México enviou navios com ajuda, e que “há dois dias, vários navios da Marinha mexicana enviaram mais de 900 toneladas de ajuda humanitária para Cuba”.
O embaixador afirmou que a denúncia política e a mobilização internacional são importantes, e que a solidariedade prática pode ajudar a mitigar os efeitos imediatos das sanções, em especial no fornecimento de alimentos, combustível e equipamentos para geração renovável.
Posição política de Havana e perspectivas
Curbelo reiterou a posição de defesa da soberania cubana, e afirmou que o país está decidido a resistir, sem renunciar à independência. Ele disse que Cuba tem disposição ao diálogo, desde que não haja imposição de condições ou interferência interna.
O embaixador afirmou que a política do governo dos EUA não atinge apenas Cuba, mas que “o ataque contra Cuba e a Venezuela é um ataque contra todos nós”, chamando à resistência regional e à solidariedade internacional.
As declarações e os dados desta matéria foram colhidos e relatados à imprensa, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.