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quarta-feira, junho 3, 2026

73% dos imigrantes detidos nos EUA não têm antecedentes criminais, relatório do Conselho Americano de Imigração aponta aumento de prisões do ICE e casos como Júnior Pena

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Relatório aponta aumento de 75% nas detenções, queda de 87% nas liberações discricionárias, batalhas judiciais por procedimentos irregulares e mortes em centros de detenção

Nos últimos meses, um levantamento do Conselho Americano de Imigração revela uma expansão expressiva das operações do ICE, com impactos diretos sobre quem vive nos Estados Unidos sem autorização formal.

A investigação mostra mudanças nas práticas de detenção, aumento de deportações rápidas e relatos de falhas nos procedimentos legais que têm levado a prisões consideradas irregulares por juristas.

O caso recente do influencer brasileiro Júnior Pena, detido enquanto divulgava informações sobre imigração, ilustra o contexto de maior fiscalização, e reforça debates sobre direitos e procedimentos, conforme informação divulgada pelo Conselho Americano de Imigração e por relatos sobre a detenção do influencer Júnior Pena.

A dimensão numérica e quem está sendo preso

O estudo indica que houve um salto na detenção de pessoas sem autorização, com a quantidade de detidos subindo de 40 mil para 68 mil, um crescimento de 75% no segundo governo Trump, e expectativa de chegar a 100 mil detidos ainda no início de 2026.

Uma mostra relevante do perfil dos presos é que, segundo os dados, uma parcela majoritária não apresenta histórico criminal, com 73% das pessoas presas sem antecedentes, o que acende alertas sobre critérios e prioridades na política de imigração.

Além disso, “Em novembro de 2025, para cada pessoa liberada da detenção do ICE enquanto aguardava uma audiência, 14,3 pessoas foram deportadas diretamente, um aumento em relação à proporção de 1,6 em dezembro de 2024”, segundo o relatório.

Práticas de detenção, violações e decisões judiciais

Autoridades e juízes têm questionado procedimentos adotados em batidas e prisões, especialmente em operações em locais de trabalho e em detenções colaterais que pegam familiares e colegas de surpresa.

O professor James N. Green, da Universidade de Brown, afirmou em entrevista, “Eles não podem parar uma pessoa e prendê-la se a pessoa não assumir que não está regular no país. Eles não podem, mas estão fazendo, porque Trump está violando a lei o tempo todo”.

Green também ressaltou que, mesmo sem documentos, imigrantes têm o direito de não responder ao ICE quando isso pode incriminá-los, e que muitos desconhecem esse direito, o que facilita prisões que advogados e ativistas classificam como irregulares.

Condições nos centros de detenção e transferência de presos

O aumento do número de detidos tem pressionado a infraestrutura, e o relatório aponta piora na qualidade dos centros, além de transferências frequentes entre estados, que dificultam o acesso a advogados e familiares.

Entre janeiro e 18 de dezembro de 2025, 30 pessoas morreram sob custódia do ICE, um número que o estudo destacou como sendo “Mais do que durante a pandemia de covid”.

Também foram relatados surtos de doenças, como casos de sarampo que levaram à quarentena de um centro no Texas, e situações em que famílias desaparecem de um estado e reaparecem a milhares de quilômetros após deportações rápidas.

Lucro de empresas privadas, redução de liberações e impactos nas deportações

O relatório chama atenção para o papel de empresas privadas de segurança e prisões, com cerca de 90% das pessoas detidas em instalações de propriedade ou operadas por empresas privadas no início de 2025, segundo a análise.

Os autores afirmam que “prisões em massa” aumentaram 600% no período, e que o ICE passou a emitir menos liberações, dificultando também o pagamento de fiança; “De janeiro a 29 de novembro [de 2025], as liberações discricionárias da detenção caíram 87%”, diz o documento.

No final de novembro de 2025, o ICE estava usando 104 instalações a mais para detenção de imigrantes do que no início do ano, um aumento de 91%, conforme o levantamento, o que reforça a ideia de que a expansão beneficiou cadeias privadas e ampliou a capacidade de aprisionamento.

O conjunto de dados e relatos, que inclui casos como o do influenciador Júnior Pena, coloca em evidência debates sobre direitos, transparência e o papel do sistema de detenção na política de imigração dos Estados Unidos, e levanta questões sobre como garantir acesso à defesa e evitar deportações forçadas sem processo adequado.

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