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quarta-feira, junho 3, 2026

Prisões em Alagoas Disparam 18%: Violência Doméstica Lidera Aumento de Capturas e PM Revela Estratégia

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Polícia Militar de Alagoas registra aumento expressivo de 18% nas prisões este ano, totalizando 6.234 casos entre janeiro e setembro, um crescimento de 953 capturas em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados, divulgados pela própria corporação, apontam para um avanço significativo no combate à criminalidade, com destaque para a violência doméstica e a expansão das operações para o interior do estado.

A corporação militar alagoana efetuou 6.234 prisões entre janeiro e setembro de 2025, um número que representa um aumento de 18% em relação às 5.281 capturas realizadas no mesmo período do ano passado. Este crescimento de 953 prisões demonstra a intensificação das ações policiais em todo o estado.

O levantamento da Seção de Estatística e Ciência Aplicada da PM-AL revela que os crimes com maior frequência percentual de prisões nos dois últimos anos foram ameaça (50,9%), violência contra a mulher (41,1%) e furto (29%). A violência contra a mulher, em particular, lidera o volume total de prisões, com 1.324 casos em 2025, um aumento considerável em relação aos 938 registrados em 2024.

Conforme informação divulgada pela Polícia Militar de Alagoas, o aumento de 18% na média mensal de prisões, que subiu de 586 para 692, é progressivo e consistente, refletindo uma gestão estratégica e operações contínuas. As maiores altas foram observadas em agosto (44,2%), junho (32,4%) e julho (21,4%), períodos que coincidem com maior fluxo populacional devido a férias e festejos juninos.

Aumento da Violência Doméstica e Expansão para o Interior

A violência contra a mulher se destaca como o crime com maior volume de prisões em Alagoas, totalizando 1.324 capturas em 2025. Outros crimes com alta incidência incluem tráfico de drogas (920 prisões), cumprimento de mandado judicial (703) e embriaguez ao volante (311). O comandante-geral da PM-AL, coronel Paulo Amorim, atribui o resultado à presença efetiva do patrulhamento e à intensificação de ações preventivas e operações constantes.

O levantamento aponta que as quintas-feiras concentraram o maior crescimento percentual de prisões (cerca de 31%), seguidas pelas sextas-feiras (aproximadamente 25%), embora todas as noites da semana tenham registrado aumento. A maioria das ocorrências atendidas pela PM-AL ocorreu no turno da noite, com 407 prisões adicionais em 2025.

O coronel Paulo Amorim ressalta que o aumento de prisões, especialmente em situações de violência doméstica, não necessariamente indica um aumento real de ocorrências, mas sim um fortalecimento da confiança das vítimas em denunciar, o que é crucial para o combate efetivo. A divulgação da Lei Maria da Penha e dos mecanismos de proteção tem sido fundamental nesse processo.

Interiorização das Prisões e Foco em Crimes de Menor Potencial Ofensivo

Os municípios de Palmeira dos Índios, Rio Largo e Arapiraca registraram um crescimento superior a 50% nas prisões, demonstrando a expansão das ações policiais para além de Maceió. Apesar de um aumento acima de 12%, a capital ainda lidera em número total de capturas, com 2.327 prisões entre janeiro e setembro de 2025, contra 2.077 no mesmo período de 2024.

A expansão das ações policiais para o interior é evidenciada pelo aumento expressivo em municípios como Palmeira dos Índios (acréscimo de 62 prisões), Rio Largo (79) e Arapiraca (178). Esses municípios, juntamente com Maceió, concentram 569 das 953 novas prisões realizadas no período analisado.

O tenente-coronel Anaximandro Tenório, comandante do Comando de Policiamento da Região Agreste (CPRA), destaca que as estratégias na região incluem ostensividade, intensificação de rondas e reforço nas abordagens, com atenção especial a delitos de menor potencial ofensivo, como a ameaça. O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) tem sido uma ferramenta importante para dar resposta rápida a esses crimes.

Ameaça como Sinal de Alerta para Crimes Mais Graves

O crime de ameaça, tipificado no artigo 147 do Código Penal, lidera as estatísticas de prisões em Alagoas e frequentemente está associado a casos de violência doméstica. A pena para este crime é de detenção de um a seis meses, ou multa, e, desde outubro de 2024, a pena foi dobrada, podendo variar de dois meses a um ano, com ação penal pública incondicionada.

Segundo o capitão Jesus Teles, subcomandante do 10º BPM em Palmeira dos Índios, o delito de ameaça serve como um sinal de alerta para situações de risco iminente, podendo evoluir para agressões físicas ou homicídios. A intervenção policial antecipada é vista como crucial para impedir a escalada da violência.

A major Dayana Queiroz, comandante da Patrulha Maria da Penha (PMP/PM-AL), explica que o aumento nas notificações de ameaça, em Alagoas, reflete maiores denúncias por parte das vítimas, e não necessariamente um aumento dos casos. Ela ressalta que agressores muitas vezes reagem a denúncias cometendo novos crimes, incluindo a ameaça, de forma pessoal ou virtual.

A denúncia pelo número 181 é enfatizada como um passo essencial no enfrentamento à violência contra a mulher. A cooperação entre a Polícia Militar, o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública potencializa a atuação das equipes policiais e agiliza o acompanhamento das medidas protetivas de urgência, garantindo respostas mais rápidas e eficazes.

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