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quarta-feira, junho 3, 2026

Reta final da COP30 em Belém: NDCs, financiamento climático e Meta Global de Adaptação em disputa, veja o que pode ir ao texto final

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Na semana decisiva, ministros buscam consenso sobre NDCs e financiamento, impasse na Meta Global de Adaptação e pressão por mapas do caminho contra fósseis e desmatamento

A reta final da COP30 em Belém entra no momento de decisões políticas. Ministros negociam ajustes em textos para fechar acordos por consenso, regra central do processo multilateral do clima.

O foco recai sobre metas nacionais, o financiamento dos países ricos para os em desenvolvimento e a Meta Global de Adaptação. O avanço depende de equilíbrio entre ambição e viabilidade de implementação.

Há cobrança por mapas do caminho para zerar desmatamento e acelerar a transição dos combustíveis fósseis, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.

Quais pontos estão travados na agenda política

Um resumo da presidência da conferência consolidou quatro frentes em consulta. Estão em debate o reforço das NDCs, o financiamento público de países desenvolvidos e diretrizes para orientar ações no próximo ciclo.

Apesar do esforço técnico, parte do pacote ainda não recebeu aclamação para a agenda de ação. Falta acordo sobre como traduzir ambição em prazos, metas setoriais e desembolso de recursos previsíveis.

Especialistas avaliam que o texto espelha o clima das salas de negociação e a ênfase no multilateralismo. A mensagem é virar a chave, da fase de transição para a de implementação efetiva.

Para Liuca Yonaha, do Instituto Talanoa, a síntese reflete o trabalho coletivo. “O documento traz opções de encaminhamento, que estariam no que estamos chamando de ‘mutirão decision’, uma decisão que emerge desse trabalho coletivo”.

Meta Global de Adaptação segue sem consenso

O dossiê da GGA foi finalizado por técnicos como base para 100 indicadores globais, mas persiste a resistência do Grupo Africano, apoiado por países árabes, que pede estender o debate até 2027.

Segundo Fernanda Bortolotto, da The Nature Conservancy Brasil, a meta é chegar a um entendimento ministerial nesta semana. “Com muito custo, conseguiu-se finalizar um rascunho que vai ser discutido em nível ministerial esta semana para ver se a gente consegue ter até o fim dessa COP ter o indicadores do GGA adotados”.

A definição de indicadores é a porta de entrada para medir adaptação e resiliência. Também avançam, de forma processual, os Planos Nacionais de Adaptação e o Fundo de Adaptação, com rascunhos à espera de aval político.

No tema da transição justa, segue a negociação por um programa de trabalho dedicado. Há texto em análise, porém ainda sem consenso entre as partes.

Pressão por mapas do caminho, fósseis e desmatamento

Críticos apontam falta de clareza sobre trilhas para cortar fósseis e eliminar desmatamento. “Um ponto negativo do documento e que também não está se refletindo na sala de negociações, é que não traz nada sobre os mapas do caminho tanto para zerar desmatamento quanto para fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis. O presidente Lula trouxe isso na abertura da COP, de ter o mapa do caminho para a transição, a ministra Marina Silva falou isso em eventos”, diz Bortolotto.

A especialista acrescenta que já há base política para avançar. “Já tem apoio de mais de 60 para países para isso, só que isso está sendo falado em eventos e a gente precisa que isso seja falado nas salas de negociação para sair em texto de decisão, senão a gente termina uma COP sem isso. Não adianta nada ter todo um clamor dos eventos se não tiver ali no texto”.

Na plenária de alto nível em Belém, o vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que o Brasil busca implementar mapas de ação para transição energética e erradicação do desmatamento ilegal, como legado da COP.

Para o Greenpeace Brasil, é hora de calibrar a pressão política. “Para esta segunda semana de negociações, precisamos de mais pressão para que sejam acordados encaminhamentos claros que iniciem os processos para os ‘mapas do caminho’ para o fim do desmatamento e dos combustíveis fósseis”, afirma Anna Cárcamo.

O que observar nos próximos dias em Belém

A reta final da COP30 costuma deslocar a negociação dos órgãos técnicos para os chefes de delegação. Com margem política maior, ministros podem aparar arestas e costurar compromissos.

Se houver entendimento, o pacote deve incluir direções sobre NDCs, previsibilidade do financiamento climático e um marco funcional para a GGA, com indicadores, prazos e monitoramento.

Sem acordo, cresce o risco de adiar pontos chave, como os indicadores globais de adaptação. Isso empurraria a consolidação do tema para além de 2025, com impacto na execução local.

O relógio político pressiona. Textos precisam refletir ambição e meios de implementação, com metas claras, rotas setoriais e dinheiro novo e adicional, sobretudo para países vulneráveis.

Para prosperar, a reta final da COP30 exige arquitetar consensos tangíveis, garantindo que os mapas do caminho contra fósseis e desmatamento saiam do discurso e entrem no texto de decisão.

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