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quarta-feira, junho 3, 2026

Zuckerberg nega desenvolver redes sociais para viciar jovens em telas, diz que Meta não permite menores de 13 anos, mas e-mails internos mostram foco em pré-adolescentes

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No tribunal, o fundador do Facebook afirmou que a Meta não projetou serviços para viciar crianças, e disse que buscou alternativas para uso seguro por menores

A audiência em Los Angeles transformou documentos internos em prova, enquanto o CEO tentou afastar acusações de que a empresa teria mirado crianças para ganhar usuários futuros.

Advogados mostraram e-mails e apresentações que, segundo os processos, indicam esforço para conquistar usuários ainda na pré-adolescência, e questionaram declarações feitas por Zuckerberg ao Congresso.

Conforme informação divulgada pela Reuters, o depoimento trouxe à tona contradições entre o discurso público da Meta e registros internos.

O caso em julgamento

A ação foi movida por uma mulher da Califórnia que afirma ter começado a usar Instagram e YouTube quando ainda era criança, e que o uso precoce contribuiu para depressão e pensamentos suicidas.

No tribunal, o advogado Mark Lanier pressionou o CEO sobre afirmações de que usuários menores de 13 anos não são permitidos nas plataformas, e apresentou documentos internos que sugerem que esse público era importante para a empresa.

A Meta e o Google negam as acusações, e ressaltam medidas que, segundo as empresas, visam manter a segurança dos usuários.

Provas internas e declarações

Uma apresentação interna do Instagram de 2018 continha a frase, “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência”, citação usada pela acusação para mostrar intenção de alcançar crianças.

Outro documento citado no julgamento é um e-mail do ex-vice-presidente Nick Clegg, que afirmou a Zuckerberg e a outros executivos, “temos limites de idade que não são aplicados (ou são inexequíveis?)”, questionando a eficácia das políticas da empresa.

Zuckerberg afirmou que Lanier estava “distorcendo” suas palavras, e defendeu que a empresa discutiu criar versões seguras dos serviços para menores de 13 anos, mas que muitas propostas não foram implementadas.

Tempo de tela e metas de engajamento

Lanier também confrontou Zuckerberg com e-mails de 2014 e 2015 nos quais o fundador estabelecia metas para aumentar o tempo que usuários passam no aplicativo, apesar de testemunhos posteriores negarem essa orientação.

Os jurados viram um documento de 2022 que listava “marcos” para o Instagram, incluindo o aumento gradual do tempo que os usuários passam no aplicativo diariamente, de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026.

Zuckerberg afirmou que esses números não eram “metas”, mas uma “constatação” para a diretoria, e que hoje a companhia busca melhorar a experiência, o que pode levar a um maior uso como efeito colateral.

Em outra afirmação reproduzida no processo, o CEO disse que “Se você está tentando dizer que meu depoimento não foi preciso, discordo veementemente”.

Consequências e reação global

O julgamento é visto como um teste para ações similares contra a Meta, Google, Snap e TikTok, e pode abrir caminho para indenizações e mudanças nas práticas das plataformas.

A Meta afirmou que adolescentes no Instagram representam “menos de 1% da receita”, informação trazida ao tribunal durante o depoimento de Zuckerberg.

O caso ocorre em meio a investigações e mudanças regulatórias globais, com países adotando restrições de idade e leis nos EUA igualmente em debate, enquanto empresas do setor contestam algumas medidas na justiça.

Concorrentes como Snap e TikTok chegaram a acordos com a autora antes do início do julgamento, e advogados de famílias que perderam filhos esperam que decisões como esta forcem mudanças no setor.

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