25.3 C
Maceió
quinta-feira, junho 4, 2026

Estudo da Universidade de Macau revela que vídeos curtos no desenvolvimento infantil reduzem atenção, aumentam ansiedade social e prejudicam o envolvimento escolar

Mais Lidas

Não fique refém dos algoritmos, nos siga no Telegram e fique atualizado com as últimas notícias.

Pesquisa indica que o consumo compulsivo de vídeos curtos no desenvolvimento infantil está ligado a menor concentração, ansiedade social, insegurança emocional e queda no rendimento escolar, afirmam autoras

Um estudo da Universidade de Macau aponta que o uso intenso de vídeos curtos pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo das crianças, afetando atenção e bem-estar emocional.

As pesquisadoras associam esse consumo a menor envolvimento com a escola e a sinais de dependência, que incluem negligência do sono e prejuízo nas relações familiares.

As conclusões e dados sobre a expansão do formato nas plataformas digitais foram divulgados pela Lusa, com base em estudos da Universidade de Macau e em relatório oficial chinês, conforme informação divulgada pela Lusa.

Como vídeos curtos afetam comportamento e aprendizagem

Wang Wei, acadêmica da área da Psicologia Educacional da Universidade de Macau, afirma que, “O consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e insegurança”.

Segundo Wang, “A nossa pesquisa indica uma correlação direta: quanto mais os estudantes consomem vídeos curtos, menos se envolvem com a escola”. Esse menor envolvimento escolar aparece como um dos efeitos mais preocupantes para o desenvolvimento infantil.

Fatores que ampliam a dependência e sinais de alerta

Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da UM, destaca a questão da superestimulação, que prejudica o desenvolvimento cognitivo saudável das crianças.

Wu explica que os vídeos curtos capturam atenção porque “estão logo ali à mão e são gratuitos” e que o acesso a grandes quantidades de conteúdo “a qualquer hora, em qualquer lugar” facilita o consumo excessivo.

A pesquisadora também relaciona o fenômeno a fatores como stress diário, ambiente e predisposição genética, lembrando que esses comportamentos muitas vezes surgem como forma de fuga de situações desagradáveis.

Dados sobre alcance e mercado do formato

Até dezembro de 2024, o número de pessoas com acesso a este tipo de vídeos na China atingiu perto de 1,1 bilhão de indivíduos, sendo que 98,4% eram utilizadores ativos deste formato, de acordo com o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, publicado pelas autoridades chinesas.

O mesmo relatório revela que, “A dimensão da indústria superou os 1,22 trilhões de yuan [149 bilhões de euros], impulsionada pelo consumo de vídeos curtos e live streaming [transmissão em tempo real]. As microsséries testemunharam um crescimento explosivo de utilizadores, enquanto a IA [Inteligência Artificial] generativa remodelou o ecossistema de conteúdos”.

Recomendações para famílias e escolas

As autoras defendem maior consciencialização sobre os efeitos do formato, especialmente se o uso começar a afetar a vida quotidiana, levando a sacrificar tempo em família, negligenciar o sono, ou navegar em momentos inadequados, como durante as aulas.

Wang Wei recomenda, “é muito importante” satisfazer as necessidades emocionais das crianças, cultivando o uso digital responsável e competências de autorregulação, em vez de apenas retirar o aparelho celular.

Especialistas sugerem monitoramento do tempo de tela, atividades substitutas que atendam necessidades emocionais offline, e diálogo entre famílias e escolas para identificar sinais de dependência e intervir cedo.

Ao considerar políticas e orientações, educadores e pais devem equilibrar os potenciais benefícios pedagógicos das plataformas digitais com os riscos apontados para o desenvolvimento infantil e a saúde mental, promovendo limites claros e hábitos que favoreçam atenção, sono e interações presenciais.

- Advertisement -

Mais Notícias

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisement -

Últimas Notícias