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quarta-feira, junho 3, 2026

Queda do analfabetismo entre idosos negros em 11 anos mostra avanço, mas desigualdade com brancos persiste, aponta estudo do Cedra

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Analfabetismo entre idosos negros caiu de 36,0% para 22,1% entre 2012 e 2023, porém a diferença com idosos brancos continua expressiva, segundo Cedra

O analfabetismo entre pessoas idosas negras recuou de forma marcada na última década, mas a desigualdade racial no acesso à alfabetização permanece alta.

Reduções também aparecem nas faixas mais jovens, o que indica mudanças geracionais, embora lacunas históricas ainda afetem a vida de muitos idosos.

Os números e as interpretações foram compilados por especialistas e apontam caminhos para políticas de Educação de Jovens e Adultos e incentivos direcionados.

conforme pesquisa realizada pelo Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), a partir dos dados da PNAD Contínua.

Queda entre idosos, números e persistência da desigualdade

Os dados mostram que a taxa de analfabetismo entre pessoas idosas negras (60+) foi de 36,0% e, entre as brancas, ficou em 15,4%, em 2012. Em 2023, foi de 22,1% para idosos negros e 8,7% para brancos.

Embora o analfabetismo tenha sido reduzido nos dois grupos, de 20,6 pontos percentuais (p.p.) para 13,4 p.p., a diferença permanece expressiva, ressaltam os pesquisadores.

Redução também entre jovens e adultos mais novos

A análise indica queda do analfabetismo em gerações mais jovens, o que sugere avanço no acesso à educação básica ao longo do tempo.

Por exemplo, a taxa de analfabetismo dos jovens negros era de 2,4% e dos jovens brancos de 1,1% em 2012. Em 2023, a taxa dos jovens negros passou para 0,9% e dos jovens brancos, 0,6%.

Segundo o estudo, o analfabetismo diminuiu nos dois grupos, assim como a diferença entre eles, que foi de 1,3 ponto percentual (p.p.) em 2012 para 0,3 p.p. em 2023, com melhora mais expressiva entre negros.

Entre adultos de 25 a 29 anos e 30 a 39 anos também houve recuos: entre as pessoas negras de 30 a 39 anos, a taxa de analfabetismo era de 7,0% e a de pessoas brancas, 2,5% em 2012. Em 2023, a taxa de pessoas negras caiu para 2,2% e a de pessoas brancas foi para 1,1%.

Desigualdades por sexo e sugestões de políticas

O recorte por sexo mostra que mulheres e homens negros têm patamares de analfabetismo superiores aos brancos, apesar da redução geral.

A taxa de analfabetismo entre mulheres negras acima de 15 anos era 10,8% e, entre mulheres brancas, de 5,1% em 2012. Em 2023, a taxa de analfabetismo caiu nos dois grupos, ficando em 6,6% para mulheres negras e 3,3% para as brancas. Apesar da redução de 5,7 pontos percentuais em 2012 para 3,3 p.p. em 2023, a diferença entre elas permanece expressiva.

O analfabetismo entre homens negros acima de 15 anos era de 11,5%, e, entre homens brancos, atingia 4,8% em 2012. Em 2023, a taxa de analfabetismo caiu nos dois grupos, ficando em 7,4% para os negros e 3,4% para os brancos. Apesar da redução de 6,7 pontos percentuais em 2012 para 4,0 p.p. em 2023, a diferença entre eles permanece significativa.

O membro do conselho deliberativo do Cedra, Marcelo Tragtenberg, destacou o impacto do problema na vida dos idosos, ele afirmou, “Houve melhora, mas não sabemos se é por motivo geracional, se os novos idosos estão mais escolarizados ou pelo processo de urbanização. Para isso, seria importante uma busca ativa para matrículas em Educação de Jovens e Adultos (EJA) e até uma política de incentivos, como o programa Pé de Meia, mas voltada para a população mais velha que não chegou aos níveis básicos de escolaridade”, disse Tragtenberg.

O que os números significam na prática

Os recuos nas taxas apontam avanço no acesso à educação ao longo das últimas décadas, contudo, o analfabetismo entre idosos negros ainda produz efeitos diretos na renda, no acesso a direitos e na qualidade de vida.

Especialistas citam a necessidade de políticas públicas específicas, como busca ativa para EJA e incentivos direcionados, para reduzir as desigualdades remanescentes e apoiar quem ficou sem escolaridade básica.

Os dados do Cedra, com base na PNAD Contínua, mostram que há progresso, mas que a agenda da alfabetização e da inclusão educacional precisa continuar sendo prioridade.

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