| Não fique refém dos algoritmos, nos siga no Telegram e fique atualizado com as últimas notícias. |
Analistas dizem que a tentativa de Derrubar Irã visa conter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia de Israel, em ofensiva dos EUA e de Tel Aviv
O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã, pela segunda vez em oito meses, reacendeu debates sobre motivações estratégicas além da ameaça nuclear alegada.
Especialistas ouvidos por analistas e pela imprensa apontam que a operação pode ter como objetivo frear a influência da China na região e assegurar a predominância política e militar de Israel.
A escalada ocorre em meio a negociações sobre o programa nuclear e balístico iraniano e traz implicações econômicas e geopolíticas para a Ásia, Oriente Médio e Europa.
conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Motivações geoestratégicas e a contenção da China
Para analistas, a campanha para Derrubar Irã não se limita à suposta prevenção de um programa nuclear, ela também mira a influência econômica de Pequim.
O professor Robson Valdez observa que o conflito pode afetar a China, grande importadora do petróleo iraniano, que transita pelo Estreito de Ormuz, e que a disputa combina contenção estratégica e rivalidades regionais.
O historiador Rodolfo Queiroz Laterza aponta que os EUA tentam retirar o Irã da rota econômica construída por China e Rússia na Eurásia, em um contexto que ele descreve como guerra comercial pela supremacia econômica global.
Interesses de Israel e política interna
Especialistas de Oriente Médio destacam que Israel busca consolidar sua supremacia regional, e que atores domésticos, como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, podem usar a ofensiva para reforçar posições políticas.
O professor Mohammed Nadir afirma, “O real motivo é acabar com qualquer possibilidade de uma potência pujante no Oriente Médio e manter a hegemonia de Israel. Esta guerra não é uma guerra americana, mas é uma guerra de Benjamin Netanyahu e, por extensão, de Israel, que quer se tornar o hegemônico incontestável no Oriente Médio. E os EUA querem garantir essa primazia a Israel”.
Diplomacia, negociações e alegações sobre o programa nuclear
Um dia antes dos ataques, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, mediador nas negociações, afirmou que o Irã aceitou não manter urânio enriquecido em estoque, o que foi apresentado como avanço nas conversas.
Albusaidi disse, “Isso é, sem dúvida, uma grande conquista. É algo que não estava presente no antigo acordo negociado durante o governo do presidente Obama. Portanto, haverá zero acumulação, zero estocagem e verificação completa”, em entrevista à CBS.
Para a professora Rashmi Singh, “Os EUA e Israel entraram em guerra quando um avanço diplomático e a paz estavam ao alcance. Então, por que agora? Tanto os EUA quanto Israel acreditam que o Irã está fraco e veem isso como uma oportunidade estratégica para instalar um governo mais moderado no país”.
Impactos regionais e argumentos sobre não proliferação
O Irã é, segundo análises citadas, “o quinto maior produtor de petróleo do planeta, e disputa a terceira posição entre os países com maiores reservas comprovadas de hidrocarbonetos do mundo”. Isso aumenta seu peso geoeconômico e a importância estratégica do conflito.
O professor Roberto Goulart Menezes ressalta que “O Irã faz parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), então o Irã pode ser inspecionado a qualquer momento, sem aviso prévio, pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aeia), e o Irã sempre tem contribuído”.
Analistas alertam que a ofensiva pode provocar realinhamentos regionais, afetar fluxos de energia e complicar projetos de infraestrutura da China na Ásia Central, caso o país persa seja enfraquecido.
Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam ainda que, além das dimensões militares, a operação carrega motivações políticas internas, interesses econômicos e um papel determinante na configuração futura do equilíbrio de poder no Oriente Médio.