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Saúde, indústria e pesquisa se unem na parceria Brasil e Índia para produção de medicamentos, R$ 722 milhões no primeiro ano e meta de R$ 10 bilhões em uma década
O Brasil e a Índia assinaram hoje uma série de acordos para ampliar a produção de medicamentos essenciais, com foco em fármacos contra o câncer e na transferência de tecnologia.
Os entendimentos visam reduzir a dependência externa, garantir estoques e ampliar o acesso a terapias de alta complexidade pelo SUS.
As iniciativas incluem parcerias industriais, acordos regulatórios e memorandos de pesquisa, conforme nota do Ministério da Saúde.
O que foi assinado e quais medicamentos
Foram firmados três acordos chamados de “Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo” para garantir a oferta dos medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe, indicados para diferentes tipos de câncer, como mama, pele e leucemias.
No primeiro ano de execução das parcerias, o Brasil deverá investir R$ 722 milhões, e a projeção é que em uma década o investimento nacional possa chegar a R$ 10 bilhões para fabricar e ofertar os medicamentos.
Impacto econômico e estratégico
A fabricação nacional desses medicamentos tem, segundo o ministério, o objetivo de reduzir a dependência externa, permitir estabilidade de estoque e “ampliar o acesso da população a terapias de alta complexidade”.
O texto da fonte também destaca que “Produtos farmacêuticos, junto com diesel, inseticidas, fungicidas e peças para automóveis, são os principais itens de importação da Índia para o Brasil.”
Além disso, “Em 2024, o volume de importações de fármacos atingiu US$ 7,3 bilhões, segundo a empresa Fazcomex”, informação que contextualiza a importância comercial da relação entre os Estados.
Cooperação regulatória, pesquisa e desenvolvimento
Os acordos incluem a prorrogação da cooperação bilateral em saúde por mais cinco anos, com foco em “produção de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos, biofabricação, inovação produtiva, desenvolvimento de biológicos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial”.
A Anvisa assinou memorando com o Central Drugs Standard Control Organization para a “troca de informações regulatórias” sobre medicamentos, insumos e dispositivos médicos, passo importante para harmonizar processos e acelerar aprovações.
A Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, firmou memorandos com laboratórios indianos para pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos considerados “estratégicos” pelo Ministério da Saúde.
Repercussão política e próximos passos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “Brasil e Índia trabalham lado a lado, há décadas, na defesa da equidade no acesso a medicamentos, sobretudo os genéricos, e da soberania sanitária no âmbito da Organização Mundial da Saúde.”
O ministro Alexandre Padilha ressaltou que os acordos viabilizam “a transferência de tecnologia para fortalecer a produção nacional, gerar emprego e renda e ampliar a autonomia e a segurança dos pacientes brasileiros.”
Lula e Padilha participam da missão presidencial na Índia e estão no Fórum Empresarial Brasil e Índia, em Nova Delhi, onde seguem as tratativas para implementação dos projetos e a definição de cronogramas de produção e transferência tecnológica.