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quarta-feira, junho 3, 2026

Narges Mohammadi, Prêmio Nobel da Paz, é condenada no Irã a mais 7,5 anos de prisão por reunião e conspiração, com proibição de saída e denúncias de maus-tratos

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Nova sentença soma-se a outras condenações em décadas de ativismo, inclui prisão, exílio e proibição de saída, enquanto a ativista faz greve de fome e a família denuncia pressão das autoridades

Narges Mohammadi, reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, recebeu uma nova sentença no Irã que amplia o tempo total de prisão contra a ativista, que lutou por direitos humanos e contra a pena de morte.

A detenção mais recente ocorreu em 12 de dezembro de 2025, em Mashhad, após um discurso em memória de um advogado encontrado morto, e marcou mais um capítulo na perseguição judicial que ela sofre há décadas.

Detalhes sobre a pena, o estado de saúde de Mohammadi e a pressão sobre seus familiares foram divulgados por fontes citadas no material original, conforme informação divulgada pela agência Efe e pelo advogado Mostafa Nili.

Sentença, penas e recurso possível

Segundo o advogado Mostafa Nili, a ativista de 53 anos foi, nesta nova condenação, sentenciada a seis anos de prisão por reunião e conspiração para cometer crimes, com a proibição de sair do país por dois anos.

Em outro processo, Mohammadi já tinha sido condenada a 18 meses de prisão por “atividades de propaganda” e a dois anos de exílio na cidade de Khosf, na província de Khorasan do Sul, conforme informou o advogado.

Somadas, as penas correspondem a sete anos e meio de detenção, embora, de acordo com a lei iraniana, as penas de prisão não podem ser cumpridas consecutivamente. A última sentença ainda é passível de recurso, segundo Nili.

O advogado também afirmou, na rede social X, que está esperançoso de que a saúde debilitada da ativista permita que ela seja temporariamente libertada sob fiança para tratamento médico.

Saúde e greves de fome dentro da prisão

Mohammadi tem um longo histórico de problemas de saúde. Em dezembro de 2024 ela foi libertada por três semanas por motivos médicos relacionados com “a sua condição física após a remoção de um tumor e de um enxerto ósseo”, conforme recordou o advogado.

Segundo relatos do material original, a ativista voltou a fazer greves de fome, e “Narges faz greve de fome há uma semana”, reivindicando, entre outros pedidos, “o direito a fazer um telefonema”, “a ter acesso aos advogados no Irã” e a receber visitas, cita a advogada Chirinne Ardakani, a partir de Paris.

A agência de notícias Efe também reportou, citando fontes que não quiseram se identificar, que a detenção de Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a vida dela em grave perigo.

Pressão sobre a família e isolamento

Em janeiro, a partir da prisão, Mohammadi denunciou uma operação de pressão feita pelas autoridades de Teerã na casa do seu irmão em Mashhad. A fundação que leva o nome da ativista afirmou na rede X que agentes de segurança invadiram a residência e realizaram uma busca.

A organização disse que o ataque faz parte da crescente pressão sobre a família nos últimos meses. Mohammadi não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015, e a última chamada telefônica com a família data de 14 de dezembro, segundo relatos citados no material fornecido.

Contexto e repercussão

Esta é a oitava sentença contra Narges Mohammadi em 25 anos de contestação ao regime de Teerã, a pena de morte e o rígido código de vestuário para as mulheres, segundo as informações disponíveis.

Mesmo presa, Mohammadi continuou a organizar protestos no pátio da prisão e a realizar greves de fome. Relatos de ex-detidos descrevem o estado físico dela e de sua companheira, Pouran Nazemi, como “alarmante”.

Advogados e organizações de direitos humanos continuam acompanhando o caso, que permanece sujeito a recurso, e pedem atenção internacional para as condições de detenção e para o acesso a atendimento médico adequado.

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