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Relatório anual da HRW diz que ações da administração Trump corroeram salvaguardas dos direitos humanos, fortalecendo o autoritarismo e exigindo união entre democracias para conter a crise
O relatório anual da Human Rights Watch traça um panorama preocupante do avanço do autoritarismo em todo o mundo e destaca o papel das políticas dos Estados Unidos no enfraquecimento das normas internacionais.
A ONG aponta retrocessos em direitos fundamentais, ataques ao Estado de Direito e recuos em proteção social que, somados, alimentam movimentos autoritários em várias regiões.
As conclusões vão além dos EUA, envolvendo também a China e a Rússia, e a HRW pede que países democráticos se unam para conter essa onda, conforme informação divulgada pela Human Rights Watch
O que o relatório afirma
Segundo a Human Rights Watch, “O sistema global de Direitos Humanos está em perigo. Sob grande pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e persistentemente minada pela China e pela Rússia, a ordem internacional regida por leis está sendo destruída“. O documento diz que essa combinação de fatores tem repercussões globais.
A ONG também adverte sobre os “recentes abusos dos EUA – desde os ataques à liberdade de expressão até a deportação de pessoas para países terceiros onde podem sofrer tortura – mostram o ataque do governo ao Estado de Direito”.
Acusações diretas à administração Trump
O relatório detalha que a administração dos EUA reduziu mecanismos de responsabilização, atacou a independência judicial, desrespeitou ordens judiciais e cortou programas essenciais de ajuda alimentar e de saúde.
A HRW afirma que o governo revogou direitos de mulheres, obstruiu o acesso ao aborto, minou medidas de reparação por danos raciais, retirou proteções a pessoas trans e intersexo, e corroeu a privacidade.
Além disso, o relatório cita que Trump “tem usado o poder do governo para intimidar adversários políticos, meios de comunicação social, escritórios de advocacia, universidades, sociedade civil e até mesmo comediantes”.
A ONG afirma ainda que, em política externa, a postura da administração “subverteu os fundamentos da ordem internacional baseada em regras que procura promover a democracia e os direitos humanos” e lembra que os EUA se retiraram de instituições multilaterais, como o Conselho dos Direitos Humanos da ONU e o Acordo de Paris.
Impacto global, estatísticas e apelo por reação
O relatório observa que o declínio democrático começou antes da reeleição de Trump, e que a onda de democracias que vinha desde 50 anos atrás sofreu retrocesso. Na avaliação citada pela HRW, “A democracia está agora de volta aos níveis de 1985, de acordo com alguns estudos, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários.”
Philippe Bolopion, diretor executivo da HRW, é citado no documento pedindo que se “[É preciso] conter a onda autoritária que varre o mundo”, e avisando que esse “é o desafio de uma geração”.
A organização recomenda que países que valorizam os direitos humanos formem “uma aliança estratégica para preservar a ordem internacional baseada em regras”, transformando preocupação em ação política e econômica conjunta.
Consequências e próximos passos
A HRW alerta que, com os EUA recuando em papéis multilaterais e países temendo antagonizar potências como Estados Unidos e China, os direitos humanos ficam mais vulneráveis, e muitos governos passam a ver o Estado de Direito como um obstáculo à segurança e crescimento.
Ao final, a ONG conclui que é necessária uma mobilização internacional para frear o avanço do autoritarismo, fortalecendo mecanismos de proteção, cooperação entre democracias e defesa de normas que sustentam os direitos humanos.
As informações deste texto foram baseadas no relatório anual divulgado pela Human Rights Watch.