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quarta-feira, junho 3, 2026

Acordo UE-Mercosul aprovado provisoriamente pela União Europeia, entenda como a abertura a 451 milhões de consumidores muda o Brasil e o agronegócio

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Acordo UE-Mercosul avança na União Europeia, abrindo redução de tarifas, regras comuns para comércio e novas janelas para exportadores brasileiros

Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, em votação que pode levar à assinatura do tratado na segunda-feira no Paraguai.

A sinalização favorável aconteceu apesar de objeções de França, Irlanda e outros Estados-membros, em um debate marcado por argumentos econômicos e preocupações agrícolas.

(conforme informação divulgada pelo g1)

O que foi decidido e próximos passos

Com a aprovação provisória, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai.

O texto prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, e regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

A formalização dos votos depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas, 13h no Brasil, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters.

Resistência interna na UE

Apesar da maioria favorável, o acordo enfrenta forte resistência de produtores rurais europeus, sobretudo na França, que temem concorrência de produtos latino-americanos mais baratos e com padrões ambientais diferentes.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra, escrevendo, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”.

A Irlanda também se posicionou contra, com o primeiro-ministro Simon Harris dizendo, “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”.

Concessões e incentivos para agricultores

Para obter apoio de países-chave, a Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores, medida vista como tentativa de reduzir resistências internas.

A Itália teve papel decisivo no avanço, com a primeira-ministra Giorgia Meloni condicionando o apoio à consideração das demandas do setor agrícola, e o ministro Francesco Lollobrigida destacando a discussão sobre aumento de recursos para 2028 a 2034.

Impactos para o Brasil

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, e tem impactos que vão além do agronegócio, alcançando diferentes segmentos da indústria brasileira.

Especialistas apontam que o tratado pode ajudar na diversificação comercial em um momento em que a China, principal destino da carne bovina brasileira, começa a impor limites mais claros ao ritmo das importações.

A carne bovina já é destaque nas exportações ao bloco, com embarques que alcançaram US$ 820,15 milhões de janeiro a novembro, um salto de 83,2% na comparação anual, ficando atrás apenas de China e Estados Unidos em termos de valor.

Na carne de frango, a UE foi o sexto principal destino, com US$ 457,99 milhões exportados, e no café verde o bloco foi o principal destino, com US$ 6,43 bilhões em vendas nos 11 primeiros meses de 2025, US$ 1,22 bilhão a mais que no mesmo período de 2024.

O acordo pode criar a maior área de livre comércio do mundo, segundo analistas, ao integrar regras e reduzir barreiras entre dois blocos econômicos importantes.

O que vigora a partir daqui

Depois da assinatura, o texto ainda precisa passar por processos de ratificação e implementação que variam entre os países participantes, por isso efeitos práticos e prazos dependerão de legislações domésticas.

Setores exportadores no Brasil já avaliam o impacto em cadeias de valor, buscando ampliar vendas com maior agregação de valor para um mercado mais exigente e previsível institucionalmente.

Ao mesmo tempo, a União Europeia enfrentará o desafio de conciliar interesses geopolíticos, proteção ambiental e pressões internas de produtores rurais, em um equilíbrio que será determinante para a aceitação final do acordo.

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