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quarta-feira, junho 3, 2026

Floresta em pé e agrofloresta ganham força na COP 30, como lavouras com árvores reduzem CO2, geram renda e protegem o Brasil das mudanças climáticas

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Com a Floresta em pé, a agrofloresta integra lavouras e árvores, reduz emissões de CO2, melhora a água no solo e cria renda local, tema em destaque nas discussões da COP 30 em Belém

Lavouras sob a copa de árvores, como milho à sombra da castanheira, mostram o potencial da agrofloresta. O sistema combina produção com conservação, melhora o solo e reduz insumos químicos, com foco em mudanças climáticas.

A lógica é ecológica, não baseada em agrotóxicos, e promove biodiversidade. Árvores de raízes profundas captam água, geram sombra e protegem culturas sensíveis à seca, aumentando a resiliência às extremos.

O tema ganha alcance em debates e experiências práticas, do campo à cidade, e aparece como caminho para reduzir CO2 e garantir alimentos. As informações estão em conteúdo da EBC e da Fiocruz, conforme divulgado pela EBC e Fiocruz.

Agrofloresta, conceito e papel no carbono

A Floresta em pé transforma áreas degradadas em sistemas biodiversos. A integração de cultivos e árvores aumenta matéria orgânica, retém água e captura CO2, reduzindo o efeito estufa e o aquecimento global.

O princípio é simples, mais árvores vivas significam mais carbono absorvido pelas plantas e menos gás na atmosfera. Em vez de monocultivo, a agrofloresta cria estratos de plantas, favorece polinizadores e equilíbrio de pragas.

O conhecimento ancestral reforça esse caminho. Como disse o climatologista Carlos Nobre, “Os indígenas chegaram na Amazônia 12, 14 mil anos atrás, e eles sempre utilizaram o conhecimento muito bem para tudo, para a saúde deles, para alimentação, no transporte, os produtos da biodiversidade.

Os indígenas utilizaram e utilizam ainda mais de 2,3 mil produtos da biodiversidade, por exemplo, 250 frutas alimentares, 1.450 plantas medicinais. Eles aprenderam a conviver muito bem com a floresta”.

Mitigação e adaptação no campo, a visão técnica

Moisés Savian, engenheiro agrônomo e secretário do Ministério do Desenvolvimento Agrário, explica no podcast S.O.S! Terra Chamando! que a agrofloresta atua em mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

“Quando eu estou diminuindo a emissão de carbono, eu estou mitigando. Se eu, por exemplo, tenho um pasto ralinho e eu monto uma agrofloresta, eu vou trazer para a superfície o carbono que está excessivo na atmosfera (o carbono é absorvido pelas plantas). Se eu tenho uma lavoura de milho que não resiste muito tempo sem chuva – diante da crise hídrica – e junto esta lavoura à floresta, que tem sombra e raízes profundas, o milho se beneficiará da captação de água de uma castanheira, por exemplo”.

O podcast é uma coprodução da Empresa Brasil de Comunicação, EBC, e da Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz. A agenda aponta a Floresta em pé como solução climática e social.

Troca de saberes Brasil França fortalece agroecologia

Em Botuporã, Bahia, um consórcio com municípios da Alsácia do Norte, França, estimula jovens e agricultores em agroecologia. A cidade francesa de Eschbach participa da cooperação desde 2021.

Segundo Hervé Tritschberger, prefeito de Eschbach, “Brasil e França não têm os mesmos desafios, mas temos os mesmos objetivos, que é trabalhar para o desenvolvimento sustentável. O paradoxo dos países europeus é que eles não querem produzir alimentos com agrotóxicos, mas os consomem em importações.

A partir dessa troca, é preciso repensar esta validação e capacitar agricultores para este modo mais saudável e sustentável”.

O estudante Yago Fagundes relata a prática em campo. “A experiência no Brasil tem sido de empoderamento rural. Nós recebemos, por exemplo, especialistas franceses que capacitaram nossos agricultores na produção do queijo Tomme de Vache, utilizando uma receita milenar de forma sustentável.

Na França, eu vivenciei essa prática de perto, morei com agricultores com o selo ‘BIO’ e participei ativamente da construção de cercas vivas e projetos de plantio em escolas, elementos cruciais para a biodiversidade”.

Para Yago, a agroecologia é chave climática. “A agroecologia é fundamental para combater as mudanças climáticas. Ela usa a teia do voluntariado para criar uma solidariedade internacional que fortalece o planeta.

Ela atua tornando o solo um sumidouro de carbono, aumentando sua matéria orgânica e sua capacidade de reter água, o que protege as comunidades de secas e eventos extremos”.

As trocas foram registradas em livro gratuito e apresentadas no Festival Nosso Futuro, em Salvador, reforçando a Floresta em pé como ferramenta de desenvolvimento.

Consciência, consumo e políticas públicas aceleram a Floresta em pé

No Rio de Janeiro, William Torres cultiva alimentos no quintal como prática sustentável. “A minha primeira referência em agroecologia foi o quintal da minha avó e bisavó paternas, quando eu ainda era bem novinho e, àquela época, não fazia ideia da preciosidade que estava ao meu alcance e muito menos conhecia o termo.

Hoje, é claro, entendo que a agroecológica vai muito além de alimentos livres de agrotóxicos, mas ela também engloba os aspectos subjetivos da nossa vida e que o adubo das nossas raízes: o território, a tradição e a sabedoria ancestral”.

Ele destaca valores comunitários e justiça socioambiental. “É nesse caminho que resgato parte da minha história, minha relação profunda com a natureza, meu senso de comunidade, minha necessidade de lutar pela vida na Terra e preservá-la”.

Para a ação individual, ele pondera limites e potência. “Quando se trata de combater os efeitos da crise climática que atravessamos, não existe uma balança que diga qual é a ação mais importante nesse processo, afinal, cada atitude que visa contrapor a lógica exploratória do agronegócio, é um ato revolucionário.

Portanto, toda e qualquer ação individual que busque fugir da lógica do lucro, é sempre válida”.

No balanço da COP 30, Moisés Savian aponta avanços. “A COP foi muito positiva para o Brasil, apresentamos nossa agenda de florestas produtivas para o mundo. Além de manter, vamos ampliar a área de cobertura florestal com geração de renda e alimentos”.

Ele projeta a transição produtiva com Floresta em pé. “Eu acho que o futuro do Brasil é avançar na agricultura resiliente, de baixo carbono, biodiversa, agricultura agroecológica nas áreas degradadas. Nós temos muita área degradada no Brasil.

Nós temos muita pastagem subutilizada. São áreas em que não estão produzindo alimentos e não estão servindo para a questão ecológica também. A propósito, o governo tem trazido a ideia de florestas produtivas de agroflorestas, avançar com a produção biodiversa, de agroflorestas nessas áreas que já foram desmatadas, numa ótica de restauração, mas uma restauração produtiva.”

O consumo também entra na equação. Savian cita varejo com prateleira de “produtos da floresta” e pagamento antecipado a agricultores. “Porque nós temos hoje, muita gente vive contando o dinheiro para passar o mês.

Algumas outras pessoas podem pagar um pouco mais por um produto que é diferenciado. Nós nos reunimos com uma rede de supermercados internacional. E eles estão criando uma prateleira chamada de ‘produtos da floresta’. E aí, qual era o desafio que eles tinham?

Muitas vezes, no mercado do varejo, ele vai precisar de 30 dias, 60 dias para pagar. O agricultor, não pode esperar tanto. E essa rede está fazendo pagamento antecipado”.

Na visão do gestor, a Floresta em pé é parte da solução climática. “Acredito que é esse ‘remedinho’ que pode junto com a restauração florestal, com o combate ao desmatamento, com uma pecuária mais intensa, no sentido de ocupar melhor o espaço que já existe, sem derrubar mais árvores.

Não é um remédio que você vai tomar na veia e vai resolver num dia pro outro, mas é uma dose meio homeopática, tomada em pequenas quantidades, mas de forma contínua”.

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