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quarta-feira, junho 3, 2026

Agressões contra mulheres têm testemunhas em 71% dos casos, com crianças presentes, aponta Mapa Nacional da Violência de Gênero do Senado

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Com crianças em 70% das situações com testemunhas e 40% sem ajuda imediata, estudo sobre agressões contra mulheres expõe impactos e urgência de respostas públicas

O Brasil registrou cerca de 3,7 milhões de mulheres vítimas de violência doméstica em 12 meses. As agressões contra mulheres seguem elevadas e afetam lares inteiros, com efeitos que se prolongam.

Entre as vítimas, 71% foram atacadas na presença de outras pessoas. Em 70% desses episódios havia criança no ambiente, somando 1,94 milhão de ocorrências presenciadas por menores.

O levantamento integra o Mapa Nacional da Violência de Gênero e orienta políticas públicas. Os dados são do DataSenado e parceiros, conforme informações divulgadas pelo OMV, Instituto Natura e Gênero e Número.

Retrato do alcance e persistência da violência

Segundo o estudo, em 40% das situações com testemunhas a vítima não recebeu ajuda. O dado reforça o isolamento nas agressões contra mulheres e a barreira para interromper o ciclo.

Para 58% das entrevistadas, a violência é recorrente há mais de um ano. A análise aponta dependência econômica e falta de redes de apoio como fatores que dificultam a ruptura.

“Essa foi a primeira vez em que a pesquisa investigou a presença de outras pessoas no momento da agressão, o fato de 71% das mulheres serem agredidas na frente de outras pessoas, e, dentre esses casos, 7 em cada 10 serem presenciados por, pelo menos, uma criança, mostra que o ciclo de violência afeta muitas outras pessoas além da mulher agredida”, disse Marcos Ruben de Oliveira, do DataSenado.

“Cada situação de violência deixa marcas que ultrapassam o momento da agressão, a pesquisa evidencia que a violência de gênero não é um problema isolado, mas uma questão estrutural que afeta famílias e comunidades e exige uma resposta coletiva, coordenada e permanente, capaz de contribuir para o desenvolvimento do país”, afirmou Maria Teresa Mauro, do OMV.

A amostra ouviu 21.641 mulheres, em todos os estados e no DF, por telefone, com participação da empresa Nexus. O recorte amplia a visão sobre violência doméstica e agressões contra mulheres.

Crianças expostas e ausência de ajuda imediata

O fato de menores presenciarem 1,94 milhão de episódios agrava os danos. A exposição reforça a urgência de acolhimento, prevenção e atendimento qualificado às famílias.

Sem auxílio em 40% dos casos com testemunhas, a rede informal falha em conter a violência de gênero. A resposta precisa ser rápida, coordenada e orientada por serviços oficiais.

Acolhimento, denúncias e o papel da comunidade

Após as agressões, 58% buscaram a família, 53% recorreram à igreja e 52% contaram com amigos. Mesmo assim, só 28% registraram queixa em Delegacias da Mulher.

Apenas 11% acionaram o Ligue 180. Entre mulheres com fé, 70% das evangélicas buscaram amparo religioso, enquanto 59% das católicas recorreram a familiares.

“Os números são uma fotografia da realidade do país, em que a maior parte dos casos de violência doméstica ainda é tratado na esfera privada, é essencial que quem acolhe, seja um familiar, uma liderança religiosa ou uma amiga, saiba orientar com clareza sobre os caminhos e órgãos responsáveis pelo atendimento, garantindo que essa mulher se sinta segura para buscar proteção e exercer seus direitos”, disse Beatriz Accioly, do Instituto Natura.

Lei Maria da Penha, conhecimento e efetividade percebida

O estudo mostra que 67% conhecem pouco a Lei Maria da Penha e 11% não conhecem o conteúdo. O desconhecimento cresce com menor renda e escolaridade.

Entre analfabetas, 30% não conhecem a lei, no fundamental incompleto são 20%. No superior completo são 3% e no superior incompleto 4%, o que expõe desigualdades de acesso à informação.

Por renda familiar, até 2 salários mínimos registram 13% sem conhecimento, entre 2 a 6 salários são 6%, acima de 6 salários são 3%. Entre 60+ anos, o índice chega a 18%.

Na percepção de proteção, 75% veem a lei como totalmente, 27%, ou parcialmente protetiva, 48%. Para 23%, não protege, e 2% não souberam opinar.

A descrença é maior entre menos escolarizadas, 33% das não alfabetizadas e 30% sem ensino médio não confiam na lei, contra 15% entre quem tem superior completo.

Instituições conhecidas e caminhos de proteção

As Delegacias da Mulher são citadas por 93% como apoio. As Defensorias Públicas aparecem com 87%, CRAS e CREAS com 81%, o Ligue 180 com 76%.

A Casa Abrigo é conhecida por 56%, a Casa da Mulher Brasileira por 38%, outros serviços por 5%. Fortalecer a porta de entrada aumenta a chance de romper agressões contra mulheres.

O conjunto de dados aponta prioridade, ampliar informação sobre a Lei Maria da Penha, qualificar o acolhimento e impulsionar denúncias formais. A proteção precisa ser acessível e contínua.

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