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quarta-feira, junho 3, 2026

Cúpula dos Povos em Belém repudia falsas soluções climáticas, critica modelo capitalista e cobra transição justa com participação popular rumo à COP30

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Em Belém, a Cúpula dos Povos rejeita falsas soluções para o clima, critica o modelo capitalista e cobra transição justa com participação popular na COP30

O encontro terminou na Universidade Federal do Pará com um chamado por mudanças nos modos de produção. Para os organizadores, sem justiça climática e soberania popular não há futuro possível, nem transição efetiva.

O documento final afirma que grandes empresas influenciam políticas e impõem propostas de mercado. O texto defende controle social dos bens comuns e serviços públicos, com foco em justiça e participação popular.

A carta, construída por dois anos e apoiada por 1.109 organizações, foi entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, conforme conteúdo divulgado pela organização da Cúpula dos Povos.

Mobilização popular e números

A programação reuniu cerca de 20 mil participantes entre 12 e 16 de novembro em Belém, em agenda paralela à COP30. A abertura teve barqueata na Baía do Guajará, com 5 mil pessoas e 250 embarcações.

Uma passeata integrou diversos movimentos e, segundo os organizadores, alcançou 70 mil pessoas. A Cúpula dos Povos buscou ampliar vozes que pedem mudanças reais e urgentes nas políticas climáticas.

“As pessoas viram nessa mobilização popular a possibilidade de gritar mais alto, de gritar coletivamente perante o processo que está acontecendo no espaço oficial da COP30, de onde nós não podemos esperar as soluções que estão demorando demais”, diz Darcy Frigo, integrante da Comissão Política da Cúpula do Clima.

“Nós gritamos aqui que quem tem a solução são os povos. E os povos dizem: ‘nós somos a solução’”.

Rejeição a falsas soluções e críticas ao capitalismo

O documento repudia o modelo de produção global e processos na lógica do modelo capitalista, citando a transição energética e o multilateralismo como insuficientes quando guiados pelo mercado.

“A produção capitalista é a principal causa dessa crise do clima. E porque nós estamos dentro desse sistema, somos bombardeados com supostas soluções climáticas, que, na verdade, são falsas soluções”, diz Thauane Nascimento, da Comissão Política da Cúpula do Clima.

“Então, a gente é totalmente contrário, contrárias, a qualquer falsa solução que é colocada como alternativa ao combate à crise climática. Essas soluções não irão cumprir o seu propósito”.

Soberania, bens comuns e participação

Segundo a organização, a lógica do capital dá às grandes empresas espaço na tomada de decisão, o que amplia falsas soluções. A Cúpula dos Povos defende soberania e gestão pública dos bens comuns.

“A gente entende que essa organização dos povos é o caminho, é o modelo para a solução dessa crise. Outra coisa que a gente quer também afirmar é que essa privatização, mercantilização, financiarização dos bens comuns, dos serviços públicos, elas são totalmente contrárias aos interesses do povo. Isso não é só aqui em Belém do Pará, isso não é só no Brasil, é no mundo inteiro”, reforça Thauane.

Encaminhamentos para a COP30

A declaração foi entregue a André Corrêa do Lago, presidente da COP30, que prometeu levar o texto à sessão de alto nível que começa nesta segunda, dia 17. A expectativa é por uma virada de rumo nas negociações.

“Fico muito feliz de poder presidir essa COP com esse apoio que sinto de vocês. Espero que a COP30 seja a COP da virada”, reforçou o embaixador. A pauta inclui transição energética justa, justiça climática e participação popular.

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