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quinta-feira, junho 4, 2026

Fiocruz obtém patente para tratamento promissor contra malária resistente

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Fiocruz obtém patente para tratamento promissor contra malária resistente

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu um passo importante na luta contra a malária ao obter uma patente para um método de tratamento inovador. A tecnologia utiliza um composto com grande potencial, especialmente para combater cepas do parasita que se tornaram resistentes aos medicamentos convencionais. A conquista representa um avanço significativo na busca por soluções eficazes contra uma doença que ainda afeta milhões de pessoas globalmente.

A patente foi concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO), um reconhecimento internacional da pesquisa desenvolvida por inventores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais. O foco está no composto DAQ, que demonstrou notável capacidade de ação contra formas resistentes do Plasmodium falciparum, o principal responsável pelas manifestações mais graves da malária.

O diferencial do DAQ reside em sua habilidade de contornar os mecanismos de defesa que o parasita desenvolveu ao longo do tempo. Embora a atividade antimalárica do DAQ já fosse conhecida desde os anos 1960, foi a retomada dos estudos pela Fiocruz, com o uso de abordagens modernas da química e biologia molecular, que revelou seu potencial único. Segundo Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da Fiocruz, a descoberta de uma ligação tripla na cadeia química do composto foi crucial para entender seu mecanismo de ação contra a resistência.

Como o composto DAQ age contra a malária

O mecanismo de ação do DAQ é similar ao da cloroquina, um medicamento antimalárico conhecido. Ele interfere em um processo vital para a sobrevivência do parasita. Durante a digestão da hemoglobina humana, o microrganismo libera substâncias tóxicas que normalmente neutraliza. O DAQ age bloqueando essa defesa, levando à morte do parasita de forma eficiente.

Os estudos realizados indicaram que o composto atua rapidamente nas fases iniciais da infecção. Sua eficácia foi comprovada tanto contra cepas sensíveis quanto contra as resistentes do Plasmodium falciparum. Além disso, os pesquisadores observaram resultados promissores contra o Plasmodium vivax, que é o responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil, reforçando ainda mais a importância dessa descoberta.

Potencial de baixo custo e colaborações internacionais

Um dos aspectos mais estratégicos do DAQ é seu potencial de baixo custo de produção. Essa característica é fundamental para países de baixa e média renda, onde a malária é endêmica e o acesso a tratamentos acessíveis é um desafio constante. A pesquisa contou com a colaboração de instituições renomadas como a University of California San Francisco (UCSF), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Novas pesquisas estão em andamento em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), visando aprofundar o conhecimento sobre o composto. A patente, concedida em março deste ano, tem validade até setembro de 2041, garantindo um período para o desenvolvimento e a potencial comercialização do tratamento.

Próximos passos e a importância da inovação contínua

Apesar dos resultados promissores, o desenvolvimento do DAQ como medicamento ainda requer etapas adicionais. Testes de toxicidade, a definição de doses seguras e eficazes, e o desenvolvimento de uma formulação farmacêutica adequada são cruciais antes que o tratamento possa chegar aos pacientes. Antoniana Krettli, pesquisadora da Fiocruz, destaca que a estrutura da instituição pode acelerar essas fases, dada sua forte atuação na Amazônia e experiência em testes clínicos.

Os pesquisadores enfatizam a necessidade contínua de desenvolver novas alternativas terapêuticas. O parasita da malária está em constante evolução, desenvolvendo resistência aos tratamentos existentes. A obtenção da patente para o DAQ é um passo vital para garantir que existam opções eficazes no futuro, prevenindo uma potencial escassez de medicamentos contra essa doença devastadora, conforme informado pela Fiocruz.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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