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Trabalho no domicílio segue acima do pré-pandemia, 5,8% em 2019 e 8,4% em 2022, mas 2024 registra nova queda e reabre debate sobre retorno presencial
O home office perdeu fôlego em 2024, mas segue mais forte que antes da pandemia. A proporção recuou para 7,9%, sinal de ajuste após o auge do trabalho remoto.
O movimento revela mudanças estruturais no mercado, com adoção de coworking, flexibilidade híbrida e reconfiguração de políticas de presença.
Os dados mostram também diferenças por gênero e novos padrões de mobilidade, com avanço de ocupações em veículos. As informações são do IBGE.
O que explica a queda, e o papel do coworking
Para William Kratochwill, analista do estudo, a categoria inclui coworking. “As pessoas falam: ‘eu trabalho de casa’, mas não necessariamente ela vai trabalhar em casa, ela pode escolher ir a um coworking”, pondera.
O pesquisador destaca o efeito sanitário e tecnológico. O trabalho no domicílio “claramente deu uma arrancada depois da pandemia”, afirma, com expansão rápida e posterior normalização.
Mesmo com o recuo, o nível segue elevado. “Mas ainda está em um nível superior ao que tínhamos antes do período pandêmico e das novas tecnologias”, assegura Kratochwill, reforçando a resiliência do home office.
Mulheres são maioria no home office
As mulheres concentram a maior parte de quem está em home office. Elas somam 61,6% dos trabalhadores nessa condição, reflexo de ocupações compatíveis com o remoto.
Considerando o total de ocupados por sexo, 13% das mulheres estavam em home office em 2024. Entre os homens, a parcela foi de 4,9%, apontando desigualdade de acesso à modalidade.
O padrão confirma a reconfiguração pós-pandemia, com maior aderência feminina ao trabalho a distância, apoiada por setores administrativos e de serviços digitais.
Onde os brasileiros trabalham em 2024
O mapa dos locais de trabalho revela concentração em estruturas próprias e designadas. Em 59,4% dos casos, a atividade ocorre no estabelecimento do próprio empreendimento, ainda dominante.
No local designado pelo empregador, patrão ou freguês, a fatia chega a 14,2%. Em fazenda, sítio, granja ou chácara, o percentual é de 8,6%, sinal da força do campo.
Já o domicílio de residência, que capta o home office, responde por 7,9%. Veículo automotor representa 4,9%, e via ou área pública, 2,2%.
Há ainda 1,6% em estabelecimento de outro empreendimento, 0,9% no domicílio do empregador, patrão, sócio ou freguês, e 0,2% em outro local, fatias residuais.
Apps impulsionam trabalho em veículos, empresas vivem tensão
O trabalho em veículo cresce, de 3,7% em 2012 para 4,9% em 2024. Para Kratochwill, há influência de serviços de aplicativo como Uber e 99, e da nova onda de food truck.
“Com certeza há um impacto do transporte de passageiros”, diz. “Mas não se pode desconsiderar essa nova onda de food truck, venda de comida em veículos. Cada um, um pouquinho favorece para isso”, acrescenta.
A presença feminina na atividade sobre rodas é baixa. Na categoria, as mulheres são 5,4% do total. Entre os homens, 7,5% trabalham em veículo, entre as mulheres, 0,7%.
O recuo do home office gera atritos. No início do mês, o Nubank anunciou regressão gradual no trabalho de casa, e houve demissão de 12 funcionários, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Em março, empregados da Petrobras fizeram paralisação, entre outras pautas, contra a diminuição do teletrabalho. O debate sobre flexibilidade segue aberto no país.
Na série histórica, o home office era 3,6% em 2012, atingiu 5,8% em 2019, alcançou 8,4% em 2022, e recuou nos dois últimos anos, segundo o IBGE.