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Apagões atingem água, bancos, internet e transporte, enquanto preços de alimentos disparam e serviços públicos operam de forma reduzida, segundo relatos de moradores
Havana vive uma combinação de escassez de combustível e apagões que, segundo moradores, tem agravado serviços básicos e encarecido a vida cotidiana.
As falhas de energia afetam desde abastecimento de água até caixas eletrônicos, telefonia e internet, e moradores relatam aumento rápido dos preços de alimentos essenciais.
Conforme informações da reportagem recebida.
Apagões e serviços essenciais
As quedas de energia prejudicam o funcionamento de bombas de água, e fazem parar caixas eletrônicos, cartórios e outros serviços, tornando procedimentos rotineiros difíceis.
Como afirma a arquiteta Ivón Rivas, “Quando você tenta sacar dinheiro no banco, se não há eletricidade, os caixas eletrônicos não funcionam. Se você precisa realizar algum tipo de procedimento legal e o cartório não tem energia, eles não conseguem trabalhar. É muito difícil”.
O país depende em cerca de 80% de energia produzida por termelétricas movidas a combustíveis, e a restrição de acesso a petróleo no mercado global, agravada por medidas externas, tem reduzido a capacidade de geração.
Preços, oferta e impacto na alimentação
Moradores relatam uma aceleração na alta de preços dos itens essenciais nas últimas semanas, após o endurecimento das medidas externas.
Ivón diz que “Nessas últimas semanas, a diferença é que os preços aumentaram em um ritmo muito mais acelerado do que antes. Arroz, o óleo, a carne de frango, que são alimentos básicos para os cubanos, ficaram muito mais caros”.
O economista Feliz Jorge Brown observa que o Estado perdeu capacidade de garantir a cesta básica subsidiada, o que torna a situação mais complexa para famílias que antes contavam com esse apoio.
Transporte e mobilidade em queda
A oferta de transporte público diminuiu, e o transporte privado ficou mais caro, reduzindo a mobilidade dentro e entre províncias, segundo relatos locais.
Ivón relata que “O transporte público já sofria com falta de peças de reposição, agora, devido à escassez de combustível, está ainda mais reduzido. As linhas regulares da cidade oferecem apenas uma viagem pela manhã e outra à tarde. E algumas linhas nem sequer garantiam isso”.
Feliz complementa que “Antes, os trens circulavam a cada quatro dias; agora, circulam a cada oito dias. No caso dos ônibus nacionais, as pessoas enfrentam muitas dificuldades com apenas duas viagens semanais diretas para as capitais provinciais”.
Saúde, educação e resposta da população
A crise energética agravou o acesso a medicamentos e a rotina de atendimentos, com consultas canceladas e priorização de emergências.
Ivón afirma que “Como resultado, muitas consultas foram canceladas e o atendimento de emergência passou a ser priorizado” e alerta para a falta de remédios que afeta desde tratamentos psiquiátricos até cuidados crônicos.
Feliz observa que, apesar da escassez, “as pessoas continuam indo aos hospitais para consultas, para ver o médico e procuram dar um jeito de conseguir o medicamento, seja no mercado paralelo ou por meio de familiares que trazem para elas”.
A educação e atividades culturais de base seguem funcionando em muitos bairros, com escolas e centros culturais próximos das residências, e projetos como aulas de música infantil sendo mantidos, segundo relatos locais.
Contexto político e histórico
Os entrevistados relacionam a piora atual a uma combinação de fatores, que inclui a pandemia de covid-19, sanções impostas em governos anteriores, e novo endurecimento do embargo energético por parte dos Estados Unidos.
Para Ivón, a política dos EUA não tem alcançado seu objetivo de provocar mudança de regime, porque a maioria da população está focada em garantir alimentação e sobrevivência, e muitos jovens buscam emigrar, em vez de protestar nas ruas.
Feliz, que recorda beneficíos sociais da revolução que favoreceram sua família, diz que o bloqueio é “verdadeiramente desumano e cruel” e que, mesmo com dificuldades, Cuba busca seguir adiante.
Entre os fatos citados na reportagem estão a restrição de compra de petróleo, o bloqueio naval à Venezuela a partir do final de 2025 e o histórico de seis décadas do bloqueio econômico, pontos que, segundo moradores, intensificaram a situação atual.
Os relatos destacam um quadro em que apagões, aumento de preços e redução de serviços se combinam para tornar mais difícil o dia a dia, enquanto famílias e profissionais tentam adaptar rotinas e buscar alternativas para suprir necessidades básicas.