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Em comunicado, Havana afirma que a lancha registrada na Flórida foi abordada a menos de uma milha náutica de Falcones Cay, cerca de 200 km a leste de Havana, e que houve troca de tiros no mar
Quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas a bordo de uma embarcação que, segundo Cuba, estava registrada na Flórida, no incidente ocorrido na quarta-feira, 25.
O Ministério do Interior de Cuba informou que agentes da patrulha cubana foram atacados durante a abordagem, e que o comandante da patrulha também sofreu ferimentos.
Os feridos receberam atendimento médico, e o caso segue em investigação para esclarecer a dinâmica exata do confronto, conforme informação divulgada pelo governo cubano e declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
O que diz o governo cubano
O governo afirma que a embarcação chegou a menos de uma milha náutica de um canal em Falcones Cay, na costa norte de Cuba, quando cinco membros de uma unidade de patrulha de fronteira abordaram a lancha.
Segundo o comunicado, a embarcação então teria aberto fogo contra a patrulha, ferindo o comandante da embarcação cubana, e em consequência as forças cubanas teriam respondido, causando quatro mortes entre os ocupantes da embarcação.
Nenhuma das vítimas a bordo foi identificada até o momento, e o governo cubano informou que a embarcação estava registrada na Flórida com o número FL7726SH.
O texto do governo acrescenta, “Diante dos desafios atuais, Cuba reafirma o compromisso de proteger as águas territoriais, com base no princípio de que a defesa nacional é pilar fundamental para o Estado cubano na salvaguarda de sua soberania e estabilidade na região”.
Resposta dos EUA e pedidos de investigação
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse a repórteres que o episódio não foi uma operação dos Estados Unidos, e que nenhum funcionário do governo norte-americano estava envolvido.
Rubio afirmou ainda, “Teremos nossas próprias informações sobre isso, vamos descobrir exatamente o que aconteceu, e há uma série de coisas que poderiam ter acontecido aqui”.
Ele também ressaltou, “Basta dizer que é altamente incomum ver tiroteios em mar aberto como esse”, e informou que a embaixada dos EUA em Havana tenta verificar de forma independente os fatos.
Autoridades da Flórida pediram investigações separadas, por desconfiança na versão cubana. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, ordenou que promotores abrissem uma investigação conjunta com parceiros estaduais e federais.
O deputado Carlos Gimenez, cujo distrito inclui o extremo sul da Flórida, pediu uma apuração federal, cobrando que se determine se alguma das vítimas era cidadã norte-americana ou residente legal.
Contexto regional e casos anteriores
O incidente ocorre em meio a tensões crescentes entre Havana e Washington, incluindo medidas dos EUA que, segundo notícias, bloquearam praticamente todos os embarques de petróleo para Cuba, pressão que o governo cubano descreve como agravante.
A reportagem também menciona que, no passado, lanchas que praticavam contrabando de pessoas já trocaram tiros com as forças cubanas, incluindo um episódio em 2022 em que a patrulha cubana matou um suspeito de contrabando.
Naquele ano, Cuba informou ter interceptado 13 lanchas procedentes dos Estados Unidos no primeiro semestre, e as autoridades citam cooperação prévia com os EUA em temas como tráfico de drogas e contrabando de pessoas, especialmente durante o período de reaproximação sob o ex-presidente Barack Obama.
As circunstâncias completas do confronto de quarta-feira ainda não foram confirmadas de forma independente, e as autoridades americanas e cubanas mantêm investigações paralelas para apurar a identidade das vítimas e a sequência dos disparos.