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quarta-feira, junho 3, 2026

Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático e orienta sobre repatriação, riscos de aliciamento para call centers e fraudes online

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Cartilha do MRE, em parceria com MJSP e DPU, alerta que falsas ofertas para call centers no Sudeste Asiático atraem jovens de TI e detalha procedimentos consulares

Brasileiros têm sido alvo de ofertas de trabalho fraudulentas que prometem salários altos e passagens pagas, para atuação em call centers e empresas de tecnologia no Sudeste Asiático.

Ao chegarem em países como Camboja e Mianmar, vítimas relatam jornadas exaustivas, confisco de passaportes, obrigatoriedade de práticas ilícitas e violência física.

Conforme informação divulgada pelo Palácio Itamaraty

Como funciona o esquema e quem é visado

Segundo a cartilha do Ministério das Relações Exteriores, as ofertas são feitas majoritariamente por meio de redes sociais, com promessas de salários competitivos, comissões e hospedagem incluída.

Os aliciados são, em sua maioria, jovens com conhecimentos em informática, que aceitam vagas em call centers ou supostas empresas de tecnologia, atraídos por ganhos rápidos.

Ao chegarem ao destino, as vítimas passam a realizar tarefas com longas jornadas, sofremm privação parcial de liberdade, e são forçadas a cometer golpes, fraudes virtuais e esquemas com jogos de azar e criptomoedas.

Casos relatados e operação consular

O texto cita casos concretos como o de Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, que escaparam de uma quadrilha em Mianmar.

Eles aceitaram oferta que prometia mudança de vida, foram levados à região de Myawaddy, tiveram passaportes confiscados, e ficaram em cativeiro, submetidos a jornadas de mais de 15 horas diárias, torturas e espancamentos quando metas não eram cumpridas.

Após fugirem pela fronteira com a Tailândia, receberam assistência consular em Bangkok, e o Itamaraty atuou no processo de repatriação.

Repatriação, custos e critérios do governo

A cartilha lembra que, via de regra, o retorno ao Brasil é de responsabilidade do próprio cidadão, e que não há obrigação do Estado em custear passagens, salvo exceções previstas no procedimento de repatriação.

Nos casos excepcionais, a repatriação pode ocorrer quando for caracterizada a desvalimento do cidadão no exterior, mediante disponibilidade orçamentária da assistência consular do MRE.

Para solicitar auxílio, o brasileiro precisa apresentar declaração de hipossuficiência econômica junto à Defensoria Pública da União, e não ter sido repatriado anteriormente, conforme o documento do Itamaraty.

Orientações práticas e canais de ajuda

O Itamaraty recomenda não aceitar ofertas de trabalho no Sudeste Asiático que prometam ganhos elevados, contratação rápida ou intermediação informal, e alerta para destinos mais perigosos como Camboja e Mianmar.

Quem estiver em situação de tráfico humano internacional deve procurar pessoalmente a embaixada ou consulado mais próximo, em horário comercial, para entrevista, ou ligar para os números de plantão consular em caso de emergência.

São consideradas emergências casos de tráfico de pessoas, violência, maus-tratos, detenções, desaparecimento de brasileiros nas últimas 48 horas, e crises decorrentes de guerras ou desastres, e devem receber atendimento consular imediato.

O Sudeste Asiático conta com embaixadas brasileiras em Bangkok, Phnom Penh e Yangon, e a embaixada em Bangkok também assiste brasileiros no Laos, onde não há representação brasileira permanente.

Em caso de suspeita de golpe, preserve provas, evite pagamentos adicionais e busque orientação consular, pois a prevenção é a principal forma de reduzir os riscos de aliciamento e exploração.

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