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quarta-feira, junho 3, 2026

Como foi a operação que matou El Mencho, chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación, detalhes da caçada, apoio dos EUA, 252 bloqueios e mortes

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Operação militar em Tapalpa, Jalisco, localizou El Mencho após rastrear um associado de uma parceira, com apoio de informações dos EUA, gerando onda de ataques e bloqueios

Três curtos parágrafos para abrir a reportagem, explicando de forma direta o que aconteceu e o que o leitor verá a seguir.

A operação para capturar o narcotraficante El Mencho partiu da localização de um associado íntimo ligado a uma das parceiras amorosas do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, a partir de trabalho de inteligência militar mexicano, com informações adicionais fornecidas pelos Estados Unidos.

O confronto terminou com a morte de El Mencho durante o transporte para atendimento médico, e provocou uma onda de violência que deixou dezenas de mortos e centenas de bloqueios no país, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.

Como a inteligência localizou El Mencho

Segundo relato oficial, a pista decisiva foi a identificação de um associado de confiança ligado a uma das parceiras de El Mencho. O secretário de Defesa Nacional, general Ricardo Trevilla, detalhou a operação, com a sequência exata das ações.

“Em 20 de fevereiro, por meio de operações da Inteligência Militar Central, um associado de confiança de uma das parceiras amorosas de El Mencho foi localizado. Ele a levou a uma instalação na cidade de Tapalpa, em Jalisco”, disse o general Trevilla.

Com essa informação, as forças mexicanas passaram a monitorar o local onde a parceira teria se encontrado com o chefe do CJNG, e planejaram a ação para prendê-lo no dia seguinte.

A operação e os confrontos

A ação envolveu agentes das forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional, seis helicópteros e aviões modelo Texan. Ao cercarem o imóvel, a segurança pessoal de El Mencho abriu fogo, segundo os militares.

“Mencho fugiu, deixando para trás um grupo com grande quantidade de armas; foi um ataque verdadeiramente violento perpetrado por um grupo do crime organizado. E os militares das Forças Especiais repeliram o ataque”, afirmou o general Trevilla.

Os suspeitos, de acordo com as autoridades, estavam com armamento pesado, incluindo sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes. Após a primeira troca de tiros, El Mencho e alguns seguranças escaparam para uma área arborizada próxima, onde houve novo choque.

As forças militares cercaram a área e localizaram El Mencho ainda com vida, escondido em vegetação rasteira. Em uma segunda troca de tiros, um helicóptero estatal precisou pousar de emergência após ser atingido por um projétil.

A equipe médica militar foi acionada para socorrer os feridos, e um helicóptero transportou Mencho, dois de seus guarda-costas e um oficial ferido para um centro médico em Jalisco. Segundo Trevilla, “infelizmente, ele faleceu durante o transporte”.

As duas trocas de tiros teriam causado a morte de 15 pessoas suspeitas de participarem do Cartel de Jalisco, e três militares mexicanos ficaram feridos no confronto.

Reação e consequências imediatas

A morte de El Mencho desencadeou uma série de ataques e bloqueios no país. O governo registrou 252 bloqueios em 20 dos 31 estados do México, segundo o Gabinete de Segurança da presidência.

Os ataques causaram a morte de 27 agentes do estado, além de 30 suspeitos de participarem das ações violentas a mando do cartel CJNG, conforme os números divulgados pelas autoridades. As ações incluíram rodovias bloqueadas, ônibus queimados, automóveis incendiados e ataques a prédios públicos e comerciais.

A presidente Cláudia Sheinbaum lamentou as perdas, “Nossos pêsames às famílias dos militares que perderam suas vidas ontem. E nosso mais profundo respeito. O povo do México deve se orgulhar muito de nossas Forças Armadas e de nosso gabinete de segurança.”

Em coletiva, Sheinbaum afirmou que o país estava recuperando a normalidade, e enfatizou a participação limitada dos EUA no episódio, esclarecendo a natureza da cooperação.

“Todas as operações são conduzidas por forças federais. Não há participação de forças americanas na operação. O que existe é uma grande troca de informações.”, disse a presidente, confirmando que a atuação direta foi das forças mexicanas.

Parceria com os EUA e recompensas

As autoridades mexicanas reconheceram que houve troca de informações com os Estados Unidos, e destacaram a importância do apoio técnico e de inteligência. A Casa Branca também comentou a operação, apontando El Mencho como alvo prioritário pelo seu papel no tráfico de fentanil.

Desde 2016, El Mencho constava na lista de mais procurados pelos EUA, que oferecia US$ 15 milhões por informações para sua captura. No México, havia recompensa de 30 milhões de pesos por informações que levassem à prisão do narcotraficante.

O Gabinete de Segurança informou, ainda, que o cartel ofereceu 20 mil pesos por militar assassinado, segundo investigações sobre a retaliação imediata às operações.

Cenário para o CJNG e riscos futuros

Especialistas ouvidas pela imprensa alertam que a morte de um líder dessa magnitude tende a provocar instabilidade no curto prazo, com ações do grupo para mostrar continuidade operacional e possíveis retaliações.

A advogada e especialista em políticas de drogas Gabriela de Luca destacou que o Cartel de Jalisco se consolidou desde os anos 2010 com grande capacidade armada e controle de rotas de drogas sintéticas. Em médio prazo, há risco de disputas sucessórias e fragmentações internas, dinâmicas que, em outros casos, ampliaram a violência local.

Para o tráfico, o efeito mais provável, segundo analistas, é uma reconfiguração entre cartéis, com rivais como o Cartel de Sinaloa buscando ocupar rotas e territórios, e uma redistribuição de forças no mercado ilícito, mais do que uma retração imediata do fluxo de drogas.

Moradores de Jalisco relataram uma cidade deserta no domingo, com comércios fechados e sensação de incerteza. Autoridades continuam em alerta, com patrulhamento reforçado em pontos estratégicos, incluindo aeroportos e rodovias.

Esta reportagem baseia-se nas informações divulgadas pelas autoridades mexicanas e em relatos compilados pela Agência Brasil.

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