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Lula afirma que conectividade e a diversificação comercial são sinônimo de resiliência diante do protecionismo, e prioriza ampliar o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul, Índia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou em Nova Deli a assinatura de oito acordos entre Brasil e Índia, em uma agenda voltada ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas.
As assinaturas envolvem áreas como terras raras, cadeia do aço, saúde, postal e cooperação entre micro, pequenas e médias empresas, com objetivo de ampliar trocas e reduzir riscos frente a medidas protecionistas.
Em seu discurso de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Índia, Lula afirmou que a estratégia passa pela diversificação e conectividade comercial, como caminho para aumentar a resiliência das economias.
conforme informação divulgada pelo g1
Acordos assinados em Nova Deli
Entre os acordos assinados neste sábado (21) pelo governo brasileiro e autoridades indianas, estão memorandos de entendimento e parcerias em tecnologia, mineração, saúde e comércio. Entre os documentos fechados, constam:
- Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro.
- Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas do Governo da República da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil sobre Cooperação no Campo de Elementos de Terras Raras e Minerais Críticos.
- Acordo de Cooperação Bilateral entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia (CSIR) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial do Brasil (INPI) para Acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL).
- Memorando de Entendimento entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos, Diretoria-Geral de Serviços de Saúde (CDSCO/DGHS), Ministério da Saúde e Bem-Estar Familiar, Governo da Índia.
- Memorando de Entendimento para Cooperação no Setor Postal entre o Ministério das Comunicações do Brasil e o Departamento de Correios, Ministério das Comunicações, Governo da República da Índia.
- Memorando de Entendimento entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil e o Ministério das Micro, Pequenas e Médias Empresas da Índia sobre Cooperação no Campo das Micro, Pequenas e Médias Empresas.
- Memorando de Entendimento entre o Ministério do Aço da Índia e o Ministério das Minas e Energia do Brasil no Campo da Mineração para a Cadeia de Suprimentos do Aço.
- Memorando de Entendimento sobre o Uso de Certificados Eletrônicos de Origem entre o Brasil e a Índia.
Resposta ao protecionismo, segundo Lula
Ao celebrar os acordos, Lula disse, textualmente, “hoje foi um dia muito promissor para a Índia e para o Brasil”. Ele relacionou essas iniciativas à necessidade de enfrentar medidas comerciais unilaterais, defendendo o multilateralismo.
Em outro trecho do discurso, o presidente afirmou, exatamente, “No mundo de hoje, a conectividade e a diversificação comercial viraram um sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo comercial”, e, mais adiante, disse que “Somos ambos países [Brasil e Índia] mega-diversos e polos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz”.
Panorama das relações comerciais e metas
O avanço dos laços econômicos tem números recentes: “Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 15 bilhões, maior valor da série histórica, com crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior.” A meta conjunta é elevar o fluxo comercial para US$ 20 bilhões até 2030 e ampliar o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia.
Lula também relembrou a trajetória das relações, afirmando, textualmente, “Tive a honra de estar à frente da celebração da nossa parceria estratégica no ano de 2006. De lá para cá, nosso comércio bilateral saltou de US$ 2,4 bilhões para US$ 15 bilhões. É um grande crescimento, mas é muito pouco diante do tamanho da Índia e do tamanho do Brasil”.
Próximos passos na agenda internacional
Após a visita à Índia, Lula seguiu para a Coreia do Sul, onde deve desembarcar em Seul a convite do presidente Lee Jae Myung. A comitiva pretende adotar o Plano de Ação Trienal 2026-2029, com vista a elevar o relacionamento bilateral à categoria de parceria estratégica.
O governo brasileiro, ao buscar maior diversificação comercial, quer reduzir vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e abrir caminhos para acordos mais abrangentes, incluindo a expansão do acordo com o Mercosul, com foco em aumentar o comércio e a cooperação em tecnologia, energia e indústria.