| Não fique refém dos algoritmos, nos siga no Telegram e fique atualizado com as últimas notícias. |
Saiba por que especialistas afirmam que Porto Rico, apesar do Estado Livre Associado, segue subordinado a decisões de Washington, e o que mostram ONU e plebiscitos
Porto Rico colônia dos EUA é um debate que volta ao noticiário após a apresentação de Bad Bunny no Super Bowl e reações políticas nos Estados Unidos.
Artistas, especialistas e órgãos internacionais divergiram sobre se a ilha é uma colônia clássica, ou um território com autonomia administrativa limitada.
As informações a seguir explicam histórico, decisões da ONU, referendos e vozes que descrevem Porto Rico como uma espécie de colônia dos EUA, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
O que diz a ONU e o Comitê de Descolonização
A Ilha de Porto Rico não está atualmente na lista de “Territórios Não Autônomos” da ONU, porque desde 1952 o território foi declarado “Estado Livre Associado”.
No entanto, o Comitê Especial sobre Descolonização da ONU tem classificado Porto Rico como um caso de “situação colonial”.
O relator especial Koussay Aldahhak afirma, no relatório citado, “A dominação tem sido exercida e continua a ser exercida através da subordinação às disposições da Constituição dos Estados Unidos. O chamado autogoverno do Estado Livre Associado, incluindo os processos eleitorais, é controlado pelas disposições da Constituição dos Estados Unidos e pelas decisões tomadas pelo Congresso dos Estados Unidos no exercício da soberania sobre Porto Rico”.
Aldahhak acrescenta, conforme o mesmo relatório, “O Congresso dos EUA detém plenos poderes sobre Porto Rico, inclusive nas áreas de defesa, relações internacionais, comércio exterior, assuntos monetários e outros, enquanto a ilha detém autoridade local sobre um número limitado de áreas designadas”.
História, cidadania e status político
Com o fim do domínio espanhol no continente americano, a guerra hispano-americana de 1898 transferiu Porto Rico para o controle dos Estados Unidos.
Em 1917, os porto-riquenhos tornaram-se cidadãos estadunidenses, e em 1952 o território recebeu o status de Estado Livre Associado, com autonomia administrativa interna limitada.
Especialistas citados pela reportagem destacam que, apesar da autonomia administrativa, Porto Rico segue subordinado a leis e decisões de Washington, o que alimenta a ideia de Porto Rico colônia dos EUA entre críticos e ativistas.
Vozes da academia e do soft power
O professor de relações internacionais Gustavo Menon, da Universidade Católica de Brasília, observa que a autonomia administrativa impede a classificação clássica como colônia, mas, na prática, “é uma espécie de colônia dos EUA, apesar de uma soberania administrativa restrita”.
Menon afirma ainda que “Os porto-riquenhos não votam para presidente, não têm representação política no Congresso dos EUA, mas estão sujeitos às leis federais e decisões de Washington, sendo frequentemente descrito como uma verdadeira colônia. É um resquício neocolonial que persiste nessa primeira metade do século 21”.
Segundo o especialista, manifestações culturais e artísticas, como a música de Bad Bunny, atuam como soft power, tentando aproximar Porto Rico das nações latino-americanas, e tornando a ilha um ponto de atrito para o governo dos EUA.
Referendos e a opinião dos porto-riquenhos
Porto Rico realizou sete referendos consultivos desde 1967 para medir a opinião pública sobre o status político do território, mas essas consultas não são vinculantes para o Congresso dos EUA.
No plebiscito de 2024, 58% dos eleitores optaram por se tornar um estado dos EUA, 29% escolheram “livre associação com os EUA” e 11% preferiram a independência.
No referendo anterior, de 2020, 52% votaram a favor da anexação como Estado dos EUA, e 47% contra, porém a baixa participação e o formato das perguntas costumam reduzir o impacto prático desses resultados.
Bad Bunny, símbolos e reação política
A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, cantada em espanhol, e o momento em que o artista pediu “Deus abençoe a América” para todas as nações americanas, reacenderam o debate sobre identidade e soberania de Porto Rico.
Durante o show, bandeiras de Porto Rico e de países latino-americanos foram exibidas ao lado da bandeira dos EUA, gesto que irritou o então presidente Donaldo Trump.
Trump descreveu a apresentação como, “absolutamente terrível”, e disse, “Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”.
O episódio colocou em evidência como símbolos culturais se misturam à discussão política sobre se Porto Rico é ou não uma colônia dos EUA, e alimentou novas perguntas sobre autonomia, cidadania e direitos.
Conclusão
O debate sobre Porto Rico colônia dos EUA reúne argumentos jurídicos, históricos e simbólicos, e persiste porque o território tem cidadania estadunidense sem representação plena no sistema político federal.
Enquanto a ONU e seu comitê encontram elementos de situação colonial, pleitos locais mostram divergência entre a população, e a decisão final continua nas mãos do Congresso dos Estados Unidos.
Entender essa complexa relação exige acompanhar tanto os dados dos referendos quanto declarações de especialistas, decisões do Congresso e manifestações culturais que mantêm o tema em debate.