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Presidente diz que não viu a parte racista do vídeo, atribui erro a republicação e mantém recusa em se desculpar, enquanto aliados pedem retratação e postagem é apagada
O presidente afirmou que não percebeu o trecho com conteúdo racista ao republicar o vídeo em seu perfil, e que não pretende pedir desculpas, mesmo após críticas de aliados e opositores.
Ao embarcar no avião presidencial, ele defendeu ter visto apenas o início do material, e descreveu o episódio como um erro de revisão da equipe, não uma ação intencional de sua parte.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional, levou à remoção da publicação e gerou cobranças públicas de figuras do próprio partido do presidente, conforme informação divulgada pelo g1
O que Trump disse sobre a postagem
Pressionado por jornalistas, o presidente afirmou, em sua defesa, “Eu não cometi nenhum erro. Quer dizer, eu analiso milhares de coisas. E eu vi o começo [do vídeo]. Estava tudo bem”. Ele acrescentou que “provavelmente” ninguém de sua equipe viu o final do vídeo.
Trump também declarou, citando responsabilidade de terceiros, “Alguém deixou passar um detalhe muito pequeno. Aliás, repito, não fui eu que fiz isso, foi outra pessoa. Foi uma republicação, não fomos nós que fizemos [o vídeo]”. Mesmo com as críticas, ele manteve que não pedirá desculpas.
Reações dentro do Partido Republicano
A postagem foi condenada por membros do próprio partido, que qualificaram o conteúdo como racista e inaceitável. O senador Tim Scott, único republicano negro em exercício no Congresso dos EUA, disse que rezou para que o vídeo fosse falso “porque é a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca”.
O deputado Mike Lawler, também republicano, afirmou que a publicação é “extremamente ofensiva – seja intencional ou um engano”, e que o presidente deveria, além de apagar o vídeo, oferecer um pedido de desculpas.
Conteúdo do vídeo e contexto das acusações
O trecho com teor racista mostrava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira dama Michelle Obama em corpos de macacos. O material de 2 segundos foi incluído ao final de um vídeo de cerca de 1 minuto com teorias da conspiração sobre as eleições de 2020.
No mesmo vídeo, foram repetidas acusações já desmentidas de fraude envolvendo a empresa Dominion Voting Systems. Por essa razão, a emissora Fox News fez um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para encerrar um processo de difamação relacionado a alegações semelhantes.
Risco eleitoral e repercussões políticas
O episódio chega em um momento de avaliação sobre o desempenho eleitoral do partido nas eleições de novembro. Analistas e lideranças temem que a ênfase em teorias de fraude de 2020 prejudique candidaturas locais e nacionais.
Como exemplo do impacto político recente, a historiadora Heather Cox Richardson destacou a vitória do democrata Taylor Rehmet em uma cadeira do Senado estadual do Texas, que era ocupada por um republicano desde a década de 1990. Ela disse, “[O democrata] venceu com uma margem de 14,4 pontos percentuais em um distrito que Trump venceu em 2024 por 17 pontos. A virada de 32 pontos percentuais deixou os republicanos ‘em pânico total'”.
O caso tende a alimentar debates sobre responsabilidade nas redes sociais, o papel de assessores na verificação de conteúdos republicados, e os efeitos que controvérsias públicas podem ter em campanhas e no apoio dentro do próprio partido.