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Representantes do Panamá, Colômbia, Peru, Cuba, Uruguai e Honduras caminharam na Esplanada dos Ministérios ao lado de centenas de milhares de manifestantes por direitos e reparação
A 2ª Marcha das Mulheres Negras reuniu vozes de vários países latino-americanos e do Caribe em defesa de igualdade, saúde, educação e fim da violência contra mulheres negras.
Ativistas e delegações internacionais disseram que a mobilização é parte de uma luta transnacional por reconhecimento, políticas públicas e reparação histórica.
Os relatos e dados sobre a presença e as demandas das manifestantes foram divulgados pela Agência Brasil.
Uma marcha com alcance regional e numerosa adesão
A mobilização, realizada em Brasília na Esplanada dos Ministérios, atraiu, segundo relatos, cerca de 500 mil participantes, e contou com a presença de afro latino-americanas, afro-caribenhas e integrantes da diáspora que viajaram centenas e até milhares de quilômetros para estar unidas às brasileiras, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Vozes e reivindicações das delegações
Juana Lopez, defensora dos direitos humanos do Panamá, classificou a marcha como um evento global, dizendo, “Todos os países do mundo devem lutar pelas reivindicações das mulheres negras, por nossos direitos. Devem exigir respeito dos governos dos Estados. Por isso, viemos com tudo para essa marcha.”
A cantora e compositora afro-colombiana Alba Nelly Mina afirmou que a marcha é um instrumento para transformação, “Todas temos o direito ao bem-viver e de estar aqui estamos para apoiá-los porque a luta das mulheres é de todas e importa a todos.”
María Elvira Solís Segura, de Tumaco, ressaltou a conexão entre ativismo e ancestralidade, “Lutamos por dignidade, por viver bem, por liberdade também.”
Relatos de violência e pedidos de visibilidade
Giovana León, jovem do departamento de Canelones, no Uruguai, descreveu o racismo cotidiano que atinge crianças, adolescentes e adultos, “A violência principal que vivemos é a racial, que sofrem as crianças e adolescentes e seguem adiante sofrendo em todos os momentos e em todos os lugares onde estamos habitando.”
Em outro ponto do protesto, a professora cubana Maydi Estrada Bayona afirmou que a marcha representa um ato de reparação histórica e liberdade, “E hoje, nossas novas gerações são donas destes corpos que estão gritando, porque esses problemas continuam, são cíclicos. Então, este é um ato de liberdade, é um ato de justiça reparativa.”
No Peru, Ernestina Uchoa, descendente de africanos escravizados de El Carmen, em Chincha, uniu-se à Rede de Mulheres Afro Latino-americanas, Afro-caribenhas e da Diáspora e declarou, “Porque as mulheres merecem respeito, igual a qualquer outra mulher. Por isso estou aqui, unida a todas as minhas irmãs.”
Articulação política e próximos passos
A ativista hondurenha Jimena Calderon disse que a mobilização busca construir caminhos decoloniais e antipatriarcais, “Estamos todas unidas para tecer juntas um melhor caminho decolonial e antipatriarcal. Vamos juntas dizer que esta marcha vale a pena e transformará nossas vidas.”
Participantes relataram que a marcha não termina no ato, e que pretendem voltar aos seus territórios estimuladas a lutar por acesso à saúde, educação de qualidade, emprego e renda, visibilidade em censos e estatísticas, e pelo fim da violência contra mulheres negras, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Em texto publicado sobre a mobilização, foi destacado que, Diferentemente do Brasil, onde as pessoas autodeclaradas negras somam cerca de 56% da população, no Uruguai, apenas 10% das pessoas se identificam como afrodescendentes. Essa diferença de perfil demográfico foi citada para contextualizar a diversidade e os desafios regionais, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
A marcha, realizada pela segunda vez após dez anos, incluiu ainda atividades da Semana por Reparação e Bem-Viver, com programação complementaria no dia 26 de novembro para as mulheres que participaram da mobilização, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.