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quinta-feira, julho 16, 2026

Unicef: 13,5 milhões de bebês não recebem vacinas essenciais no primeiro ano de vida

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Unicef alerta para grave déficit na vacinação infantil global

Um preocupante cenário global revela que aproximadamente 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida. Este grupo, denominado “crianças zero-dose”, representa 15% dos bebês em todo o mundo, segundo dados compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Além disso, outros 7,3 milhões de crianças não completaram o ciclo básico de vacinação, que inclui três doses da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche).

Embora os números indiquem um ligeiro avanço em relação ao ano anterior, com 116 milhões de bebês recebendo ao menos uma dose da DTP, o Unicef expressa forte preocupação. A manutenção de um alto índice de crianças zero-dose eleva consideravelmente o risco de surtos de doenças infecciosas, atingindo patamares próximos aos observados em 2009.

O programa de vacinas da organização destaca que o abandono do calendário de imunização frequentemente ocorre antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Enquanto 84% das crianças recebem esta primeira dose, apenas 77% completam o esquema com a segunda dose (MCV2). O limite considerado seguro para a imunização contra o sarampo é de 95%, uma meta ainda distante para muitas regiões.

Crise de Sarampo e Desigualdades Globais

O ano de 2025 registrou mais de 411 mil casos de sarampo em surtos que afetaram 57 países, evidenciando a vulnerabilidade de populações não vacinadas. A situação é agravada pela desigualdade na cobertura vacinal entre as nações. Enquanto 100 países mantiveram uma cobertura de pelo menos 90% da DTP desde 2019, 65 países estagnaram ou retrocederam em suas taxas, incluindo 13 nações fragilizadas por conflitos ou extrema vulnerabilidade.

Conflitos e Pobreza como Barreiras à Imunização

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, ressalta que, apesar dos esforços de governos e profissionais de saúde em recuperar as taxas pós-pandemia, milhões de crianças vulneráveis permanecem desprotegidas. Conflitos, deslocamentos forçados e pobreza são fatores determinantes que criam instabilidade na cobertura vacinal. Mais da metade das crianças zero-dose vive em contextos de fragilidade ou conflito, apesar de representarem apenas um terço da população infantil mundial.

Nesses cenários, os programas de imunização enfrentam desafios como instabilidade política, insegurança e subfinanciamento crônico. A diminuição da cobertura em países de renda média e alta também é um ponto de atenção, atribuída a mudanças no compromisso político, desafios estruturais e o aumento da hesitação vacinal, como observado na África do Sul e na Bósnia e Herzegovina.

Brasil na Contramão, mas com Alertas

O Brasil apresenta um cenário distinto, com melhora contínua na cobertura vacinal e redução no número de crianças zero-dose, estimado em 50 mil. No entanto, o ciclo completo da tríplice (DTP-3) ainda mantém índices baixos, com cobertura de 86%. Uma crítica importante recai sobre a ausência de levantamentos independentes sobre o tema nos últimos cinco anos, uma recomendação da OMS e do Unicef.

Desafios Futuros e Financiamento

A Dra. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da OMS, enfatiza a importância de manter o impulso alcançado, apesar das restrições orçamentárias e incertezas geopolíticas. A pressão sobre os sistemas de monitoramento e os recentes cortes de financiamento, especialmente por parte dos Estados Unidos, representam um risco para a sustentabilidade dos avanços na imunização global.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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