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Evento no Parque Memorial Quilombo dos Palmares promove infâncias antirracistas, reúne autoridades, lideranças tradicionais e comunidades quilombolas para debater políticas desde os primeiros anos de vida
O Governo de Alagoas, com o Unicef e apoio do Governo Federal, lançou os Cadernos da Primeira Infância Antirracista, voltados às infâncias quilombolas e de terreiros, em cerimônia realizada na Serra da Barriga, em União dos Palmares.
A iniciativa apresenta diretrizes, orientações práticas e marcos legais para apoiar políticas públicas municipais que promovam equidade, respeito à diversidade e proteção desde a primeira infância.
O encontro também contou com apresentações culturais e um painel dedicado aos saberes e direitos das comunidades tradicionais, conforme informação divulgada pela Imprensa do Governo de Alagoas.
Lançamento, objetivos e alcance dos cadernos
Os materiais lançados foram os Cadernos Primeira Infância Antirracista, PIA Quilombola e PIA Povos de Terreiro, que integram a Estratégia Primeira Infância Antirracista desenvolvida pelo Unicef em colaboração com o Governo Federal, especialistas e gestores públicos.
O conteúdo reúne conceitos, orientações práticas, marcos legais e diretrizes intersetoriais para ampliar a atuação dos municípios na promoção da equidade desde os primeiros anos de vida, com foco na identidade cultural e espiritualidade das comunidades.
Discursos e compromissos das autoridades
O vice-governador Ronaldo Lessa abriu a cerimônia e destacou a importância do evento para Alagoas e para a pauta da equidade racial, afirmando, “Que alegria para Alagoas receber representantes dos ministérios aqui na Serra da Barriga, mostrando que o Governo Federal está comprometido com essa agenda. Começar pela infância é começar por tudo. Se queremos transformar o futuro, precisamos criar condições para que nossas crianças cresçam livres do racismo e entendam, desde cedo, a importância da diversidade e do respeito”.
Lessa também reforçou o valor histórico do território, dizendo que “A Serra da Barriga é um patrimônio de resistência e merece continuar sendo valorizada como patrimônio cultural da humanidade”, e ressaltou a parceria com o Unicef, que ajudou a reduzir índices de mortalidade infantil em seu período como governador do Estado.
A secretária de Estado da Primeira Infância, Caroline Leite, disse, “Receber este lançamento em Alagoas fortalece nosso trabalho e reafirma que não existe desenvolvimento infantil sem justiça social, respeito às diversidades e garantia de direitos. A partir desse lançamento, vamos agilizar para colocar essa estratégia em prática de forma efetiva dentro dos territórios municipais de Alagoas”.
Participação das comunidades e programação cultural
O prefeito de União dos Palmares, Júnior Menezes, destacou a importância de sediar o encontro em um território simbólico, afirmando, “É uma honra receber esse encontro em um território tão simbólico. Com o apoio do Governo de Alagoas, seguimos comprometidos com uma infância justa. Não tem como falar de infância sem falar do Selo Unicef, que, com o apoio estadual, tem trazido desenvolvimento, visibilidade e fortalecido nosso compromisso com políticas públicas que fazem diferença na vida das nossas crianças”.
A programação incluiu apresentações do grupo Oloomi Ayyeé do Quilombo Muquém, que celebra 15 anos de atuação sociocultural, e do grupo Azgad, com performances que reforçaram pertencimento, memória e referências culturais locais.
O painel intitulado “Infâncias quilombolas e de terreiro: saberes, cultura e direitos” reuniu protagonistas das comunidades tradicionais para debater desafios, práticas e a necessidade de políticas públicas que reconheçam identidades, cultura e espiritualidade.
Próximos passos para implementação
Os cadernos chegaram para orientar gestores e técnicos na formulação de políticas intersetoriais, com foco em saúde, educação, assistência social e proteção cultural. A expectativa é que, a partir do lançamento, a estratégia seja rapidamente incorporada às práticas municipais em Alagoas.
A articulação entre governo estadual, Unicef, Governo Federal e lideranças tradicionais será fundamental para monitorar a execução, garantir formação de profissionais e adaptar as orientações às realidades quilombolas e de terreiro, fortalecendo desde já uma infância antirracista no estado.