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quarta-feira, junho 3, 2026

PMMA: Conselho de Medicina proíbe uso em procedimentos estéticos na pele

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PMMA proibido para procedimentos estéticos na pele: entenda os riscos e exceções

O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu uma resolução que proíbe o uso do Polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos injetáveis na pele. A decisão, baseada em posicionamentos de sociedades médicas e preocupações com a segurança dos pacientes, visa evitar complicações graves como inflamações crônicas, formação de granulomas e danos renais.

O PMMA é um plástico transparente, comercializado sob registro na Anvisa, que quando usado em estética, se apresenta como um gel com microesferas. Ele funciona como um preenchedor definitivo para face e corpo, mas sua utilização tem gerado alertas devido aos riscos associados. A medida entra em vigor após debates sobre a segurança do material e incidentes reportados.

A relatora da resolução explicou que o material, ao se entremeiar nos tecidos, pode desencadear reações inflamatórias persistentes. O risco é diretamente proporcional ao volume injetado, e a dificuldade de remoção do produto do corpo pode levar a procedimentos mutilantes, exigindo a retirada de grandes áreas de tecido saudável. Conforme informado pelo CFM.

Riscos e complicações do uso de PMMA

O PMMA pode causar reações inflamatórias crônicas, formação de granulomas (pequenos nódulos), migração do material injetado e até hipercalcemia, que é o excesso de cálcio no sangue, podendo evoluir para doença renal crônica. A remoção do produto, quando necessário, é um procedimento complexo e muitas vezes mutilante.

A especialista Graziela Bonin destacou a dificuldade em retirar o material após a infiltração nos tecidos. Cirurgias para remoção frequentemente resultam na mutilação de grandes áreas de gordura subcutânea e músculos, deixando sequelas permanentes nos pacientes. O tratamento, quando possível, pode envolver o uso de imunossupressores potentes, que necessitam de uso contínuo.

Exceção para tratamento médico específico

A resolução do CFM estabelece uma única exceção para o uso do PMMA como preenchedor: o tratamento da lipodistrofia, uma condição de perda ou redistribuição de gordura no corpo, comum em pacientes com HIV/aids que utilizam antirretrovirais. Essa técnica é incorporada pelo Ministério da Saúde desde 2004.

Neste caso específico, o uso é autorizado apenas em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo rigorosos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. A aplicação deve ser restrita a profissionais médicos legalmente habilitados e com treinamento específico, devido aos riscos inerentes.

Esforços para banimento e posicionamento da Anvisa

Em janeiro de 2025, o CFM solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o banimento total da comercialização do PMMA como preenchedor estético, citando mortes associadas ao seu uso, muitas vezes por profissionais não médicos. A Anvisa, no entanto, informou que o produto é seguro quando usado dentro das regras atuais e para indicações aprovadas, como correções de defeitos na pele e volumetria por razões de saúde, não para fins meramente estéticos.

A agência reguladora considera que o perfil de risco-benefício é aceitável sob condições adequadas de uso e restringe a aplicação exclusivamente a médicos. O CFM pretende se reunir novamente com a Anvisa para reforçar o pedido de proibição, exceto para o tratamento da lipodistrofia no SUS. Atualmente, dois preenchedores à base de PMMA possuem registro na Anvisa no Brasil.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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