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Grupo de Leitura em Estudos da Infância da Ufal lança cartilha inédita para a educação escolar indígena no estado de Alagoas, focando em plantas medicinais e saberes ancestrais.
Uma iniciativa pioneira no estado de Alagoas, a cartilha ‘Diálogos Intergeracionais Xukuru-Kariri: alfabetizando com plantas medicinais na Mata da Cafurna’ representa um marco na educação escolar indígena. O material foi desenvolvido com o protagonismo das crianças e visa oferecer aos educadores uma ferramenta culturalmente adaptada e rica em saberes tradicionais.
A elaboração da cartilha é fruto de um projeto de extensão do Grupo de Leitura em Estudos da Infância (GLEI), vinculado ao Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A professora Suzana Libardi, coordenadora do GLEI e doutora em Psicologia, liderou a equipe neste trabalho colaborativo.
O projeto contou com a importante parceria da Associação Indígena do Grupo Wpyra Swpira, presidida por Koram Xukuru-Kariri, e teve o apoio do Fundo Casa Socioambiental. Conforme informação divulgada pela Ufal, a cartilha foi publicada no ano passado e lançada primeiramente na Escola Estadual Indígena Mata da Cafurna, local que sediou o projeto, e posteriormente na Bienal do Livro de Alagoas 2025.
Atividades que Conectam Crianças, Natureza e Ancestralidade
A cartilha apresenta nove atividades práticas cuidadosamente elaboradas para estimular a relação das crianças com o território e a natureza. O objetivo é promover um aprendizado significativo, que valoriza o diálogo intergeracional e o conhecimento transmitido pelos mais velhos.
“As atividades podem ser realizadas junto com crianças, indígenas ou não, dentro ou fora da escola. Afinal, território é um assunto para todas as infâncias”, ressalta a professora Suzana Libardi. A iniciativa busca, portanto, transcender os limites escolares, promovendo a educação em um sentido mais amplo e inclusivo.
Metodologia Participativa e Sistematização do Saber
O processo de criação da cartilha envolveu a realização de oficinas com crianças do segundo ano da Escola Estadual Indígena Mata da Cafurna. A partir dos relatos e experiências vivenciadas nessas oficinas, a universidade e a comunidade indígena trabalharam juntas para sistematizar as informações.
O resultado é um material que não só relata a experiência vivida, mas também oferece um passo a passo detalhado das atividades, tornando-as facilmente replicáveis em outros contextos escolares. Essa abordagem contribui diretamente para um dos eixos da Política de Educação Escolar Indígena, que é a produção de material culturalmente adaptado.
GLEI: Pesquisa e Extensão em Defesa da Infância Indígena
O Grupo de Leitura em Estudos da Infância (GLEI) da Ufal atua há oito anos, dedicando-se à pesquisa e extensão voltadas para crianças indígenas. O grupo é um subcomponente do Laboratório de Pesquisa e Extensão em Psicologia Escolar Educacional do Semiárido Alagoano (Lapes).
A equipe, liderada pela professora Suzana Libardi, é composta por estudantes de graduação em Psicologia da Unidade Palmeira dos Índios. A colaboração com a sociedade civil, como a Associação Brasileira de Psicologia Social e Aldeias Indígenas do Estado de Alagoas (Abrapso – AL), fortalece ainda mais as ações desenvolvidas.
Para mais informações sobre a cartilha e as atividades do GLEI, o público pode acessar o endereço oficial ou o perfil no Instagram @gleiufal.