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quarta-feira, junho 3, 2026

Participação do interior no PIB de Alagoas supera a capital, aponta IBGE: interior sobe 19% e produção municipal chega a R$ 89,68 bilhões em 2023

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Participação do interior no PIB de Alagoas segue em alta, com avanço acima de Maceió e sinais de desconcentração produtiva e melhoria distributiva de renda

Participação do interior no PIB de Alagoas cresceu 19% em 2023 na passagem de 2022 para 2023, cinco pontos percentuais acima do desempenho de Maceió, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A soma da produção de riquezas dos 102 municípios alagoanos atingiu R$ 89,68 bilhões em 2023, com interior mostrando dinamismo especialmente no setor agropecuário, industrial e de serviços.

Os dados apontam para uma redução gradual da dependência da capital, e para sinais de desconcentração produtiva no estado, conforme informação divulgada pelo IBGE e pela Imprensa do Governo de Alagoas.

Crescimentos destacados entre municípios

Na comparação entre 2022 e 2023, cinco municípios registraram alta expressiva no PIB, com destaque para São José da Laje, que apresentou avanço de 76,61%, o maior entre as 102 cidades alagoanas. Em seguida aparecem Belo Monte, com 75,80%, Taquarana, 69,33%, Murici, 62,06%, e Jundiá, 46,64%.

O crescimento do PIB em municípios menores elevou também o PIB per capita. Belo Monte liderou o avanço percentual do PIB per capita, com 80,33%, seguida por São José da Laje, 76,61%, e Taquarana, 69,33%.

Setores que impulsionaram o interior

O crescimento dos municípios do interior está fortemente ligado ao setor agropecuário, com participações relevantes de municípios como Santana do Mundaú, que aparece com participação de 5,92%, seguida de Arapiraca (5,75%), Atalaia (5,29%), Coruripe (5,19%) e Branquinha (4,42%).

Ao analisar o avanço entre os municípios no setor agropecuário, destaque para São Miguel dos Campos, com crescimento de 204,6% na passagem de 2022 para 2023. Em seguida aparecem Lagoa da Canoa (200,9%), Satuba (197,3%), Rio Largo (191,1%) e São José da Laje (163,1%). Lagoa da Canoa teve seu crescimento impulsionado pelo cultivo de mandioca, enquanto os demais municípios foram influenciados principalmente pela cana-de-açúcar.

Na indústria, o PIB dos municípios alagoanos foi puxado por Maceió, com participação de 43,4%, seguida por Marechal Deodoro (9,56%), Coruripe (5,2%), Arapiraca (5,1%) e Rio Largo (3,8%). Entre as cidades que mais cresceram no setor industrial, Belo Monte encabeça o ranking, com alta de 579%, influenciada pela extração de minerais para a fabricação de adubos e fertilizantes, seguida por Taquarana (211,5%), São José da Laje (138,1%), Poço das Trincheiras (112,6%) e Matriz de Camaragibe (110,3%).

No setor de serviços, Maceió lidera com participação de 42,7%, seguida por Arapiraca (8,56%), Marechal Deodoro (2,49%), Rio Largo (2,39%) e Palmeira dos Índios (1,95%). Entre os que mais cresceram em serviços, Murici se destaca com avanço de 69,9%, seguido de Barra de Santo Antônio (27,3%), Maravilha (26,2%), Belo Monte (25,2%) e Atalaia (25,07%).

Concentração do PIB, PIB per capita e desigualdade

Ao todo, apenas cinco municípios concentram 53% do PIB estadual. Maceió aparece com um PIB de 33,7 bilhões, o equivalente a uma participação de 37,6% do total, seguida de Arapiraca (R$ 6,88 bilhões), Marechal Deodoro (3,18 bilhões), Coruripe (R$ 2,40 bilhões) e Rio Largo (R$ 2,03 bilhões). Somadas, as riquezas dessas cinco cidades atingiram R$ 48,24 bilhões em 2023.

O IBGE também aponta os dez municípios com os maiores PIBs per capita em Alagoas, liderados por Santana do Mundaú, com PIB per capita de R$ 99.564, seguido por Branquinha (R$ 88.438), Feliz Deserto (R$ 55.251), Marechal Deodoro (R$ 52.769) e Chã Preta (R$ 49.017).

Quanto à desigualdade, o Índice de Gini recuou de 0,701 para 0,699 na passagem de 2022 para 2023, e em 2013 o índice do Estado era de 0,745, indicando uma redução gradual da concentração do PIB ao longo da década.

Leitura oficial

Juliana Carla da Silva Santos, superintendente de Informações e Cenários da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, afirmou, “o resultado do PIB dos municípios mostra que o crescimento econômico de Alagoas está se interiorizando, a dependência de Maceió diminui e há sinais objetivos de desconcentração produtiva e melhoria distributiva de renda”, ressaltando a mudança no padrão de crescimento estadual.

Os números do IBGE mostram que a participação do interior no PIB de Alagoas não apenas superou a capital em ritmo de expansão em 2023, como também ampliou a participação relativa de municípios do interior na produção de riquezas do estado, cenário que deve orientar políticas públicas e investimentos locais nos próximos anos.

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