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quarta-feira, junho 3, 2026

Alerta no Brasil: Um Quarto das Estudantes Adolescentes Relata Violência Sexual; IBGE Revela Dados Chocantes

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Um quarto das estudantes adolescentes já foi alvo de violência sexual, aponta pesquisa do IBGE

Um dado alarmante divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que **um quarto das estudantes adolescentes no Brasil já vivenciou alguma forma de violência sexual**. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) entrevistou mais de 118 mil jovens entre 13 e 17 anos em todo o país.

As situações de violência incluem desde toques e beijos não consentidos até a exposição de partes íntimas sem permissão. O levantamento, realizado em 2024, aponta um aumento significativo em relação a 2019, com 5,9 pontos percentuais a mais de meninas relatando esses incidentes.

A pesquisa, que buscou facilitar a compreensão dos adolescentes sobre os diferentes atos que configuram a violência sexual, também mostrou que 11,7% das estudantes foram forçadas ou intimidadas a ter relações sexuais, um aumento de 2,9 pontos percentuais em comparação com 2019. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (25).

A gravidade da violência sexual entre adolescentes

A violência sexual, em suas diversas formas, afeta uma parcela considerável de adolescentes brasileiros. O IBGE detalha que, embora a proporção de meninas violentadas seja, em média, o dobro da de meninos, estudantes de ambos os gêneros relataram ter sido vítimas. Ao todo, mais de 2,2 milhões de meninas e 1,1 milhão de meninos sofreram assédio sexual, e cerca de 1,1 milhão de adolescentes foram forçados a ter relações sexuais.

Essas ações, segundo a lei brasileira, são tipificadas como estupro. O IBGE optou por dividir as perguntas para melhor caracterizar a violência e sua gravidade, reconhecendo que muitas vezes as vítimas, especialmente as mais jovens, podem não identificar a situação como abuso devido à idade ou a fatores socioculturais.

Idade e contexto da violência: onde e quando acontece

A pesquisa também destaca a idade em que essas violências ocorrem. Enquanto o assédio sexual foi mais relatado por adolescentes de 16 e 17 anos, a **maioria dos casos de relações sexuais forçadas (66,2%) envolveu vítimas com 13 anos ou menos** no momento do abuso. Essa informação é crucial para direcionar ações de prevenção e proteção.

A violência sexual se mostrou mais frequente entre estudantes de escolas públicas, com 9,3% relatando terem sido forçados ou intimidados a ter relações sexuais, contra 5,7% em escolas privadas. Nos casos de assédio sexual, a proporção foi semelhante entre as redes de ensino.

Quem são os agressores e a preocupação com gravidez precoce

No que diz respeito aos agressores, a pesquisa revelou que, em casos de relações sexuais forçadas, a **grande maioria dos agressores pertencia ao círculo íntimo da vítima**, incluindo namorados, ex-namorados ou outros conhecidos. Para o assédio sexual, as categorias mais mencionadas foram “outro conhecido” (24,6%), outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%).

A pesquisa também identificou que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram, o que representa 7,3% daquelas que iniciaram a vida sexual, com 98,7% delas estudando em escolas públicas. Em estados como Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, o índice de gravidez precoce ultrapassa 10% das estudantes.

Iniciação sexual e uso de proteção: um cenário de alerta

Os dados sobre a iniciação sexual também levantam preocupações. Apenas 61,7% dos estudantes usaram camisinha na primeira relação sexual, e esse número cai para 57,2% na relação mais recente. Isso indica uma falha na proteção desde o início da vida sexual, com a tendência de diminuição do uso ao longo do tempo.

Além disso, quatro em cada dez meninas já tomaram a pílula do dia seguinte pelo menos uma vez. A pesquisa, que aponta um início ligeiramente mais tardio da vida sexual em comparação com 2019, também mostra que a idade média da iniciação sexual foi de 13,3 anos para meninos e 14,3 anos para meninas, ressaltando a importância de políticas públicas eficazes de educação sexual e prevenção.

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