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quarta-feira, junho 3, 2026

Motoristas de aplicativo caíram no conto do vigário, diz Sakamoto, e enfrentam jornadas longas, baixos ganhos, falta de previdência e exploração pelas plataformas

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Sakamoto alerta que a narrativa de empreendedorismo para motoristas de aplicativo ocultou exploração, jornadas longas, baixos ganhos e ausência de proteção social, segundo o autor

O livro “O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho”, de Leonardo Sakamoto e Carlos Juliano Barros, traz uma análise crítica sobre as transformações do mundo do trabalho, com foco nas plataformas digitais.

Para os autores, a ideia de que o trabalhador de aplicativo é um empreendedor individual serviu para ocultar relações de exploração e a apropriação de grande parte da receita pelas empresas de tecnologia.

“Eles caíram no conto do vigário de que são empreendedores”, afirmou Leonardo Sakamoto, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.

Exploração, ganhos desproporcionais e precariedade

Segundo a obra, as plataformas ficam com boa parte dos recursos e pagam menos do que os motoristas reivindicam, gerando ganhos desproporcionais em favor das empresas.

Além da remuneração reduzida, muitos **motoristas de aplicativo** não recolhem tributos nem contribuições previdenciárias, o que compromete a aposentadoria e a proteção em caso de acidentes.

O autor resume a lógica da responsabilidade, ao afirmar, textualmente, “A culpa do salário baixo, na verdade, é do patrão. A culpa de trabalhar muito, na escala de seis para um, é do Congresso Nacional”, opinião registrada no lançamento do livro.

Formas contemporâneas de precarização e retrocessos

O livro aponta outras formas de precarização, como a contratação de pessoas físicas como pessoas jurídicas, as chamadas pejotas, e a figura do frila fixo, que tem deveres, mas não tem direitos.

Sakamoto também chama atenção para a persistência de práticas arcaicas de exploração, afirmando, na obra, “A gente ainda não foi capaz de erradicar a escravidão contemporânea no Brasil. Temos um pé apontado para a frente, um apontado para trás e os dois presos na lama”.

As mudanças legislativas e a fragilização dos sindicatos, segundo o autor, ajudaram a enfraquecer mecanismos coletivos de defesa dos trabalhadores, o que empurrou parte da mobilização para redes sociais.

Tecnologia pode precarizar, ou mobilizar, a luta dos trabalhadores

Apesar das denúncias, Sakamoto ressalta que a tecnologia não é neutra e pode tanto piorar quanto facilitar a organização dos trabalhadores.

Ele escreve, de forma literal, “A tecnologia não representa necessariamente a melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores”, e complementa, “Nesse momento de transformação, a tecnologia pode ser algo que vai precarizar ainda mais a vida dos trabalhadores. Mas pode, na verdade, garantir que a gente consiga também mobilizar o pessoal”.

No caso dos **motoristas de aplicativo** e entregadores, a luta atual inclui a exigência de um preço mínimo por corrida e condições de trabalho acordadas coletivamente.

Publicação, eventos e próximos passos

O livro, com 243 páginas, foi lançado em São Paulo e Brasília, e teve apresentação no auditório da reitoria da UFMG em uma noite de terça, com palestra dos autores.

Haverá sessão de autógrafos no dia 8 de dezembro, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, e os leitores interessados em compreender as múltiplas faces da precarização no Brasil encontram na obra argumentos e alertas sobre o futuro do trabalho.

Para Sakamoto, a saída passa por reivindicações, mobilização e políticas públicas que devolvam proteção aos trabalhadores, em especial aos que atuam nas plataformas digitais, e por enfrentar a dupla face da tecnologia, enquanto instrumento de exploração e de organização social.

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