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Senador Alessandro Vieira pede informações sobre volume financeiro de anúncios fraudulentos, acusa Meta de monetizar o risco e convoca ex-deputado conhecido como TH Joias para depor
A CPI do Crime aprovou a convocação do chefe da Meta no Brasil, com o objetivo de investigar uma “possível utilização sistemática” das redes da empresa para a disseminação de atividades criminosas e “como fonte de financiamento” do crime.
O relator, senador Alessandro Vieira, afirmou que é necessário obter dados sobre o montante movimentado por anúncios fraudulentos e saber quais medidas a empresa toma para coibir essas práticas, após notícias que teriam revelado documentos internos da Meta.
As informações foram divulgadas pela imprensa, segundo a equipe da CPI, e motivaram pedidos de esclarecimento sobre mecanismos de moderação e receita gerada por anúncios associados a golpes, conforme informação divulgada pela imprensa.
Por que a Meta foi convocada
Alessandro Vieira declarou que os documentos apontariam que a companhia norte-americana tem conhecimento do uso de anúncios para golpes e comércio de ilícitos, e que, por essa razão, a presença do chefe da Meta no Brasil é necessária para prestar esclarecimentos. O relator citou que “Tais documentos indicam que a Meta obteve um faturamento de aproximadamente US$ 16 bilhões em 2024, proveniente da veiculação de anúncios de golpes e produtos proibidos. Este valor representaria cerca de 10% da receita anual total da companhia”.
O senador afirmou ainda que há “profunda estranheza” porque, segundo os documentos, “a Meta tem plena ciência do problema. A empresa teria optado por um modelo de negócios que monetiza o risco, já que a Meta só bloquearia contas de anunciantes quando seu algoritmo indicasse 95% de certeza de fraude”.
Os parlamentares da CPI do Crime querem, entre outros pontos, saber o volume de anúncios considerados fraudulentos no Brasil, quanto desses anúncios geraram receita e quais controles internos existem para detectar e impedir golpes.
Convocação de TH Joias e investigação sobre lavagem
A comissão aprovou também a convocação, com presença obrigatória, do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso preventivamente pela Polícia Federal e indiciado por suposta intermediação de armas para facção criminosa.
Na justificativa, o relator ressaltou que “O Sr. Thiago foi indiciado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro por crimes graves ligados a facções. O suposto uso de um negócio legítimo, como o comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um ponto de interesse central para esta CPI”. A defesa do ex-parlamentar nega as acusações.
Convites a órgãos de investigação e fiscalização
Além das convocações, a CPI aprovou convites para ouvir autoridades responsáveis por ações contra o crime organizado, entre elas o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Souza Oliveira, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, o secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo, e o presidente do Coaf, Ricardo Andrade Saadi.
O objetivo da CPI do Crime é produzir um diagnóstico sobre facções e milícias no Brasil para sugerir mudanças legislativas e políticas públicas, após a repercussão de uma operação policial no Rio de Janeiro que resultou na morte de 122 pessoas.
Próximos passos e impacto esperado
A convocação do chefe da Meta, e a audiência com o ex-deputado conhecido como TH Joias, marcam a ampliação do foco da CPI do Crime para incluir plataformas digitais e supostas rotas financeiras usadas por organizações criminosas.
Parlamentares afirmam que o desafio será cruzar os dados financeiros e técnicos apresentados pela Meta com investigações da Polícia Federal e de órgãos de controle, para verificar se há responsabilidade da empresa na facilitação de golpes e no financiamento de atividades ilegais.
A comissão também pretende avaliar propostas de mudanças legais e aprimoramento de fiscalização sobre publicidade online, medidas que, segundo integrantes da CPI, podem reduzir o espaço de atuação de organizações criminosas na internet.