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quarta-feira, junho 3, 2026

Uso de IA na educação exige políticas de segurança, regimento e letramento, 70% dos alunos e 58% dos professores usam IA sem orientação

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Uso de IA na educação cresce sem regulação, alunos e professores pedem formação, protocolos e políticas para reduzir riscos e desigualdades no acesso

Escolas brasileiras vivem uma adoção intensa e desorientada de ferramentas de inteligência artificial, sem regras claras para orientar alunos e professores, e com riscos reconhecidos por quem usa a tecnologia.

A pesquisa qualitativa “Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro” traz relatos sobre um uso amplo e sem mediação, e aponta a necessidade urgente de políticas, formação e protocolos.

Conforme informação divulgada pelo Cetic.br, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, no seminário INOVA IA 2025, o estudo foi feito com estudantes e docentes das capitais de São Paulo e Pernambuco entre junho e agosto de 2025.

Uso intenso e sem mediação

Alunos relatam que a IA entrou no cotidiano e é usada para uma gama grande de tarefas, desde pesquisas simples até suporte emocional e criação completa de trabalhos.

Conforme a coordenadora da pesquisa, Graziela Castello, “Um uso quase selvagem, porque eles usam para tudo, desde pesquisar uma palavra, até entender uma dor que estão sentindo, receita, lembrete, para várias atividades escolares, anotações, para fazer resumo, para realizar tarefas inteiras, até para suporte emocional. Eles falam bastante disso também, que usam como terapeuta, como conselheiro. Enfim, um uso bastante diverso e amplo do ponto de vista dos alunos”.

Do lado dos professores, o uso também é intenso, sobretudo para preparar aulas e reduzir tarefas repetitivas, mas ocorre sem orientação institucional, sem protocolos e sem supervisão.

Dados e preocupações reportadas

O estudo revela números já apontados por pesquisas anteriores, que mostram uma difusão ampla da tecnologia no ambiente escolar, “70% dos alunos do ensino médio, cerca de 5,2 milhões de estudantes, e 58% dos professores utilizando ferramentas de IA generativa em atividades escolares”.

Mesmo com adoção elevada, tanto alunos quanto professores manifestam receios claros, como medo de “desaprender” ou de ficar dependentes das ferramentas, e preocupação com perda de criatividade e identidade.

Graziela destaca que “E eles querem informação, querem saber como usar de maneira ética, segura, sem riscos” e que essa demanda por orientação é um sinal de urgência para gestores públicos.

Desigualdades e infraestrutura

A pesquisa mostrou diferenças entre redes públicas e privadas, que reproduzem desigualdades pré-existentes em infraestrutura digital, acesso a computadores e a versões pagas de serviços.

Alunos com acesso apenas a celulares enfrentam limitações para usar ferramentas de IA, enquanto quem tem computador e serviços pagos pode extrair mais benefícios, ampliando a desigualdade de oportunidades.

O diagnóstico aponta que, sem medidas para equalizar acesso e formar usuários, a tecnologia pode potencializar disparidades entre escolas públicas e privadas.

Regulação, letramento e adaptação ao contexto brasileiro

Para mitigar riscos, a solução sugerida é acelerar a criação de regimentos, protocolos e políticas que estabeleçam balizas de uso seguro, junto com formação em escala para professores e alunos.

O letramento digital e de IA aparece como condição precedente, com necessidade de explicar como as ferramentas funcionam, quem detém os dados e como evitar vieses e erros factuais.

Graziela lembra que “a IA entrou chutando a porta. Entrou e eles (alunos e professores) usam, e usam mesmo, mas também reconhecem os riscos desse uso” e que “a coisa (IA) entrou com uma velocidade e a gente vai ter que trocar a roda do carro com ele andando”.

Entre as questões a ser respondidas estão se os modelos e dados usados são adaptáveis ao contexto brasileiro, quem controla as informações geradas na escola e como ensinar os estudantes a checar e validar resultados.

Especialistas entrevistados no estudo pedem políticas públicas que combinem regulação, formação e investimento em infraestrutura, para que o uso de IA na educação seja produtivo, ético e inclua todos os alunos, minimizando riscos e desigualdades.

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