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quarta-feira, junho 3, 2026

Iphan decide sobre tombamento da sede do DOPS no Rio, avaliando inscrição nos Livros do Tombo e transformação do prédio histórico em Centro de Memória e Direitos Humanos

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Reunião do Conselho Consultivo vai analisar a proposta de tombamento da sede do DOPS, inscrição nos Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes e proteção do patrimônio

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, tem na pauta a deliberação sobre o tombamento da sede do DOPS, no centro do Rio de Janeiro.

A decisão pode oficializar a proteção do imóvel e abrir caminho para transformar o prédio em espaço público dedicado à memória e aos direitos humanos.

O processo e o debate público sobre o futuro do imóvel ganham acompanhamento de entidades e autoridades, conforme informação divulgada pelo Iphan.

Histórico do edifício

Inaugurado em 1910, o edifício foi originalmente construído para sediar a Repartição Central de Polícia.

Ao longo do tempo, o prédio abrigou diferentes polícias políticas encarregadas de reprimir movimentos e expressões sociais consideradas ameaças à ordem pública.

Entre 1962 e 1975, o local abrigou o Departamento de Ordem Política e Social do Rio de Janeiro, DOPS-RJ, usado durante a ditadura militar para prender e torturar presos políticos, no período da ditadura militar brasileira, 1964-1985.

Marcas da repressão ainda visíveis

As celas e salas de interrogatório, algumas com revestimento acústico, ainda preservam marcas e inscrições de presos políticos.

Além de militantes, a repressão atingiu mulheres, negros e praticantes de religiões de matriz africana, cujos objetos de culto foram apreendidos, lembrando o alcance da violência de Estado.

Proposta de tombamento e destino do imóvel

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, estará reunido na próxima quarta-feira (26), para deliberar sobre o pedido de tombamento da sede do DOPS.

A proposta pede a inscrição do prédio nos Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes, passando a integrar oficialmente o conjunto de bens protegidos pelo Iphan.

Há uma campanha, com apoio do Ministério Público Federal e de movimentos de direitos humanos, como o grupo Tortura Nunca Mais, para que o antigo prédio do DOPS seja transformado em um Centro de Memória e Direitos Humanos, voltado à educação e à justiça.

Por que preservar memória e proteger o patrimônio

O pedido de tombamento se dá em razão do relevante valor histórico e artístico do imóvel, e pela importância de preservar lugares de memória, ação indispensável para o fortalecimento da democracia brasileira.

Transformar o espaço em centro de memória, preservando as marcas do passado, é uma forma de combater o autoritarismo e garantir que os horrores da ditadura não sejam esquecidos ou repetidos.

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