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Mostra reúne fotos, documentos e obras, destaca atuação de Luiza Bairros no movimento negro e na SEPPIR, com depoimentos de familiares, curadoria e autoridades
Abriu nesta segunda, 24, em Brasília, a exposição Lentes e Voz, dedicada a Luiza Bairros, na Fundação Palmares. O percurso revive a militância, as ideias e o impacto da ex-ministra na vida pública do país.
A curadoria de Martha Rosa organiza fotos, cronologia e documentos, além de peças de artistas de várias cidades. O foco recai na formulação de políticas, na atuação em movimentos e no legado para o feminismo negro.
O lançamento antecede a segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, lembrando o papel de Luiza Bairros na articulação do ato. As informações foram divulgadas pela Fundação Palmares e pela curadoria da mostra.
Quem foi Luiza Bairros e por que o legado importa
Intelectual negra e referência do movimento negro, Luiza Bairros foi ministra da SEPPIR de 2011 a 2014. Sua atuação articulou políticas públicas, combate ao racismo e ao sexismo, e formação de novas lideranças no país.
Em frase que sintetiza sua visão, ela dizia, “Somos herdeiros de uma luta histórica”. A mensagem pauta a mostra e inspira as vozes reunidas.
Como é a exposição e o que o público verá
Segundo a curadoria, a exposição traça um panorama da vida e obra de Luiza Bairros, com registros de sua atuação no movimento negro, cronologia, fotos e destaques de políticas públicas.
Para Martha Rosa, “A mostra nasce como uma ‘feminagem'”. Ela detalha o destaque para a participação de Luiza na formulação de políticas e em instituições de movimentos sociais.
O público verá também registros da passagem de Luiza Bairros pela SEPPIR entre 2011 e 2014, além de obras de artistas plásticas de diferentes cidades, que expressam leituras sobre sua trajetória.
Vozes da abertura, família e autoridades
Sobrinha de Luiza, Fernanda Bairros afirmou que não é somente a sobrinha da intelectual, mas “fruto do projeto político construído” por ela. Segundo Fernanda, a tia dedicou a vida inteira ao combate ao racismo e ao sexismo.
O presidente da Fundação Palmares, João Jorge, ressaltou o legado na política institucional, “Todas as mulheres que estão na politica hoje, são descendentes da Luiza Bairros, de Lélia Gonzales, de Beatriz Nascimento todas que vieram antes”.
Presente no evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou, “Essa exposição abre possibilidade para as novas gerações se aproximarem e conhecerem [a Luiza]. Fazer esse movimento um dia antes da Marcha das Mulheres Negras é um ponto de força muito importante”.
Conexão com a Marcha das Mulheres Negras
O anúncio na véspera da segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras reforça o papel de Luiza Bairros como articuladora e referência central do feminismo negro, segundo a curadoria.
Amiga de longa data, a filósofa Sueli Carneiro disse, “Nós estamos aqui porque amávamos e amamos Luiza, seu legado e sua história.” O depoimento marcou o tom de afeto e de memória política do encontro.
No encerramento, a curadoria destacou uma síntese programática, “Como Luiza dizia, e nós defendemos, a gente não tem um projeto do movimento negro para o negro. A gente tem um projeto negro para o Brasil”.