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quarta-feira, junho 3, 2026

Racismo sistêmico, Fundação Palmares aponta avanços na igualdade racial no Dia da Consciência Negra e cobra reparações, cotas e proteção à Serra da Barriga

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Em avaliação da Fundação Cultural Palmares, há avanços com cotas e Ministério da Igualdade Racial, porém o racismo sistêmico ainda sustenta violência e desigualdade

No 20 de novembro, marco do Dia da Consciência Negra, a Fundação Palmares vê avanços na igualdade racial, mas alerta que o racismo sistêmico segue afetando direitos e oportunidades. A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares.

Para João Jorge Santos Rodrigues, presidente da entidade, houve progresso extraordinário nas últimas décadas, com cotas e políticas públicas, porém o cenário está longe do ideal e exige ações contínuas e efetivas.

Na pauta estão a proteção da Serra da Barriga, a valorização do Quilombo dos Palmares e reparações históricas, temas que ganham força com o feriado nacional da data, segundo a Agência Brasil.

Avanços e alertas no Dia da Consciência Negra

Rodrigues celebrou lutas de Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez, marcos na construção de sociedade mais democrática, com cotas raciais, demarcações quilombolas e o Ministério da Igualdade Racial como pilares.

Segundo ele, o racismo no Brasil difere do observado nos Estados Unidos, na África do Sul, na Índia e na Austrália, pois atua de forma sistêmica, contínua e sofisticada, com efeitos duradouros na vida da população negra.

É um racismo sistêmico, um crime continuado, sofisticado e permanente., afirmou o presidente da Fundação Palmares, ao denunciar desigualdades e discriminações que atravessam gerações.

Ele vai encontrando fórmulas de evitar que o negro esteja vivo para usufruir dessas ações afirmativas., disse, ao citar impactos em vidas e oportunidades no país.

É o caso das chacinas no Rio (de Janeiro), na Bahia ou em São Paulo, onde há mortandade da população negra., completou, relacionando violência e exclusão estrutural.

Serra da Barriga e memória do Quilombo dos Palmares

A Fundação Cultural Palmares, criada em 22 de agosto de 1988, tem missão de proteger e valorizar a Serra da Barriga, onde está o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, referência da memória e cultura afro-brasileira.

Entre 2018 e 2022, a Serra da Barriga ficou sem atividades do Dia da Consciência Negra, lembrou Rodrigues. O feriado nacional foi instituído por Lula, Anielle Franco e Margareth Menezes, o que ajudou a pautar justiça e igualdade.

A população negra não está pedindo nada que não seja devido. Nós construímos esta Nação com trabalho, com suor, com sangue, e o Brasil é a terceira maior população negra do mundo, depois da Nigéria e Etiópia, com 113 milhões de pessoas., disse.

Segundo ele, no sítio histórico houve melhorias de preservação, acesso e informação para visitantes brasileiros e estrangeiros, fortalecendo a experiência educativa e a conexão com a história.

Edificar a memória do povo brasileiro não é uma tarefa simples, porque envolve a memória das mulheres, dos indígenas, da população negra, dos catadores, dos participantes das revoltas de Canudos e de Malês, por exemplo. É tudo que foi ocultado e foi tratado pela política como esquecimento.

A Guerra de Canudos, entre 1896 e 1897, terminou com a destruição da comunidade e a morte da maioria dos 25 mil habitantes, e a Revolta dos Malês, em 1835, foi o maior levante de pessoas escravizadas no Brasil.

Cotas, educação e presença negra

A secretária executiva do CNPIR, Larissa Santiago, também vê avanços na igualdade racial e no debate público, com mais capilaridade e clareza sobre o enfrentamento ao racismo sistêmico em todo o país.

A gente tem conseguido discutir sobre igualdade racial com mais clareza, capilaridade. Acho que as pessoas, hoje, entendem o que significa igualdade racial e conseguem discutir mais sobre esse tema, sobre racismo, enfrentamento a racismo.

Ela atribui o avanço à consolidação das leis de cotas nas universidades e à ampliação das cotas no serviço público, o que fortaleceu o acesso de pessoas negras a cursos federais e técnicos.

Significa que a gente tem uma presença. É claro que não é o ideal, e a gente está trabalhando para que isso consiga avançar mais, mas existe, de fato, e é notória a participação e a presença das pessoas negras nas universidades, nos cursos federais e técnicos.

Com isso, cresceu o número de professores negros, que levam a seus alunos perspectivas de raça, classe e gênero, ampliando currículos diversos e combatendo o racismo sistêmico nas instituições de ensino.

Desafios em saúde e segurança pública

Mesmo com avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios para garantir acesso pleno à saúde e à segurança pública, sobretudo para a maioria negra, presente em todas as regiões e realidades do país.

Eu imagino que, sendo a política de igualdade racial uma política transversal, a gente tem desafios nas diferentes áreas, nos diferentes espectros das políticas públicas. E saúde e segurança são duas políticas da maior importância para alcançar, na ponta, a nossa população.

Rodrigues reforçou a necessidade de reparações históricas, já em curso, mas, nas palavras dele, ainda não acontecem “não na velocidade que meus antepassados sonharam”, o que exige continuidade, metas e recursos para efetivar igualdade racial.

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