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quarta-feira, junho 3, 2026

Mostra no Sesc 24 de Maio celebra hip hop em São Paulo, resgata anos 80, OSGEMEOS e pioneiras do break, com horários e peças raras até 2026

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Exposição HIP-HOP 80’sp reúne 3 mil itens, destaca mulheres do rap e a história do hip hop em São Paulo, da rua 24 de Maio ao Beco do Batman, com visitação até março de 2026

A mostra HIP-HOP 80’sp, em cartaz no Sesc 24 de Maio, mergulha na origem e no impacto do hip hop em São Paulo. A experiência conecta ruas, pistas e murais, com foco nos anos 80.

Com curadoria de OSGEMEOS, Rooneyoyo e Sharylaine, o recorte recupera memórias, objetos e vozes que moldaram a cultura. São referências que atravessam dança, rap, graffiti e DJing.

O público encontra mais de 3 mil peças, de fotos a discos. A narrativa valoriza pioneiros e pioneiras, e atualiza a cidade como palco do hip hop em São Paulo, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.

O que ver na mostra

O visitante percorre uma linha do tempo que liga o Bronx às ruas paulistanas. A cenografia celebra o improviso, a energia das rodas e o espírito coletivo do hip hop em São Paulo.

Estão expostos fotografias, roupas, discos, equipamentos e registros audiovisuais. São itens que documentam a estética, o som e a atitude que marcaram gerações.

Figuras decisivas são lembradas em manequins com vestimentas originais, emprestadas para a exibição. As peças ajudam a reconstruir a atmosfera dos anos 80.

Entre as referências internacionais, aparecem Martha Cooper e Henry Chalfant, pioneiros nos registros do sul do Bronx. O filme Style Wars é citado como grande documento do gênero.

Também ganham destaque Afrika Bambaataa, que criou a primeira casa de hip-hop em 1983, o Sugar Hill Gang, a gravadora homônima, e o impacto global de Michael Jackson com o break.

Pioneiras e representatividade

A mostra dá protagonismo às mulheres na cena. Sharylaine e Rose MC lembram que abriram espaço para rimas e composições nos anos 80.

Elas registram a barreira enfrentada, “perante o meio machista, preconceituoso e sexista”. A frase ecoa como manifesto e memória.

O texto ressalta, “Com luta e perseverança, essas mulheres meteram o pé na porta, conquistaram espaço com força e garra”. O recado segue atual nas ruas.

Ao destacar trajetórias, a exposição reforça o lugar das artistas na história do hip hop em São Paulo. A curadoria abre caminho para novas leituras e vozes.

Do Bronx a São Paulo

O movimento nasce nos anos 60 e 70, no sul do Bronx, em Nova York, em meio a conflitos de gangues e repressão policial. Da adversidade, surge uma cultura de festa e criação.

Segundo OSGEMEOS, a proposta é trazer o improviso da vida em Nova York para o olhar do público. “O hip-hop aconteceu de forma muito natural no meio de tudo isso”, disseram em nota.

No Brasil, a explosão nos anos 80 é atribuída a Ricardinho, do Electric Boogies, que retorna dos EUA e leva o break às ruas do centro paulistano.

“Quando ele volta para cá, vai nos bairros e começa a abrir roda de break. A galera não sabia o que era isso,” apontam OSGÊMEOS. As ruas 24 de Maio e São Bento viram palco.

A repressão policial foi intensa. Um mural lembra, “Os agentes da corporação policial viam os dançarinos como vagabundos e marginais, gente na maioria preta, parda e periférica”.

O legado está nos grafites que marcam a cidade. O Beco do Batman, na Vila Madalena, é um ponto simbólico do hip hop em São Paulo e sua visualidade.

Serviço, datas e horários

A exposição fica aberta até 29 de março de 2026, no Sesc 24 de Maio, na República, centro de São Paulo. A visitação é acessível e gratuita.

O espaço funciona de terça a sábado, das 9h às 21h, e em domingos e feriados, das 9h às 18h. Programe-se para aproveitar com calma.

O recorte histórico, os objetos raros e as homenagens fazem da mostra um convite para redescobrir o hip hop em São Paulo com intensidade e memória viva.

Para quem acompanha o rap, o break e o graffiti, a experiência atualiza clássicos e inspira novas rodas, a cultura segue pulsando nas ruas e nos centros culturais.

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