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No Enem 2025 no DF, calor perto de 30ºC e ansiedade levaram candidatos a chegar cedo, com portões fechados às 13h e poucas ocorrências, segundo a Polícia Militar
O segundo dia do Enem 2025 mobilizou milhares no Distrito Federal, com foco em matemática e ciências da natureza. O clima foi de expectativa elevada, mas sem transtornos relevantes.
Os portões fecharam às 13h, meia hora antes do início, e a recomendação de chegar cedo foi seguida por muitos. A temperatura alta exigiu planejamento e hidratação.
Até as 14h, a PM registrou poucas ocorrências, e um aluno precisou de atendimento dos bombeiros após convulsões. As informações foram apuradas, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil.
Portões fechados, números do exame e balanço de segurança
No DF, os portões fecharam pontualmente às 13 horas, meia hora antes do início do certame. O procedimento é padrão no Enem 2025, e ajuda a evitar atrasos e aglomerações.
Em todo o país, mais 4,81 milhões de estudantes se inscreveram para participar do exame, considerado a principal ferramenta de acesso ao ensino superior no Brasil.
No Distrito Federal, mais de 82,9 mil candidatos estavam aptos a responder às 90 questões de matemática, química, física e biologia, etapa decisiva para o desempenho.
Segundo a Polícia Militar do DF, até as 14 horas houve poucas ocorrências, em geral por perturbação de sossego em áreas de prova, como som alto em veículos.
Dentro de um local de prova, um aluno teve convulsões pouco antes do início, e foi atendido pelo Corpo de Bombeiros, que atuou de forma rápida no socorro.
Chegar cedo para conter a ansiedade, relatos no DF
Ansiedade foi a tônica do segundo dia do Enem 2025. Para muitos, matemática e ciências da natureza geram mais tensão que o primeiro domingo de provas.
A universitária Luiza Jesus Matos, 19, chegou antes das 11h na Asa Norte e resumiu o sentimento. “Estou me sentindo mais preparada que da primeira vez [no ano passado]. Mesmo assim, estou nervosa”.
Ela contou que estudou sozinha, com vídeo-aulas e resumos. “Estudei para o Enem todos os dias sozinha. Assistia a vídeo-aulas e fazia resumos que, depois, eu repetia em frente ao espelho, para decorar o que aprendi”.
Luiza reconhece mais dificuldade em exatas. “Tenho mais dificuldades com matemática do que as humanas em geral. Daí, o nervosismo hoje. Se bem que, na semana passada, eu estava muito ansiosa em relação à redação. No fim, eu achei o tema bem de boa”.
A mãe, Chris de Jesus Nunes, acompanhou para dar apoio. “Tem que levar na tranquilidade, ou não consegue fazer a prova”. Para ela, o processo é longo e exige rotina e descanso.
Chris avaliou o ciclo de estudos. “É um processo muito cansativo, tanto para eles [candidatos], quanto para a gente [parentes e cuidadores]. São muitas horas de estudo, se preparando”.
Calor de 30ºC, planejamento e estudo focado
O sol forte em Brasília exigiu atenção. Termômetros chegaram à casa dos 30ºC perto do meio-dia, e muitos optaram por antecipar o deslocamento aos locais de prova.
Mesmo morando perto, José Eduardo Nascimento, 53, preferiu chegar cedo. “É bom chegar com calma”. O objetivo, evitar imprevistos e o desgaste do calor na capital federal.
Dono de barbearia, ele terminou o ensino médio em 2010 e quer cursar Marketing. Estudou em curso comunitário da Educafro, com foco em revisão e redação do primeiro domingo.
Ele contou que exatas ainda gera apreensão. “Estudei bastante, focando principalmente na redação, que fizemos na semana passada. Como minha maior dificuldade é matemática, eu hoje estou um pouco mais ansioso, mas acho que vai dar tudo certo”.
Treineiros em ação e renda extra no entorno do exame
Além dos candidatos regulares do Enem 2025, os treineiros marcam presença para conhecer o formato e reduzir o nervosismo na futura disputa por vagas.
Em São Paulo, Cibele da Costa, 17, destacou a estratégia. “A expectativa é tentar acertar as questões que eu já estudei, já sei o conteúdo. Aí, nas que eu não sei, eu tento me virar com o que eu já sei”.
As gêmeas Isabel e Ana Tavares, 18, repetiram a experiência como treineiras. “Acho muito importante pra saber como funciona a prova e também diminuir o nervosismo, porque todo mundo fica nervoso, né?”.
Para elas, a vivência ajuda no desempenho. “Mas ter feito um ano antes ajudou muito para entender melhor como que é e também dar uma treinada a mais este ano”.
Também com foco em engenharia, Enrico Madeira, 17, avaliou o segundo dia. “Fiz treineiro ano passado e essa vai ser minha segunda vez agora. Tenho mais facilidade em exatas”.
Ele vê menos textos nesta etapa. “Então, acho que esse segundo dia pra mim vai ser um pouco mais fácil. Então, eu tô vindo um pouco mais tranquilo. O que acho desse dia também é que, em geral, tem menos texto, é menos cansativo para realizar a prova”.
O Enem 2025 também gera trabalho temporário. A promotora Keyse Oliveira, 24, aproveita a demanda em ações de divulgação e apoio nos locais de prova.
“Trabalho fazendo todo tipo de divulgação de marcas, promoções, recepções, eventos, buffet. No Enem, além de divulgar faculdades e cursinhos, também já trabalhei como fiscal de provas”.
Segundo ela, a diária pode chegar a R$ 150, com comissões que elevam os ganhos a R$ 300 ou mais. A agenda inclui concursos e eventos, o que amplia as oportunidades nos fins de semana.
Keyse atua desde 2021. “Faço isto desde 2021, depois da pandemia da covid-19. E há muita gente que vive só disso. Porque não é só o Enem. Aqui, em Brasília, por exemplo, há muitos concursos públicos”.
Ela descreve a escala de trabalho. “Então, tem gente que mesmo tendo outros trabalhos, não perde a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra aos finais de semana”.
O recrutamento é ágil, feito por grupos. “A gente participa de um grupo no qual as pessoas compartilham as informações. Se a vaga for interessante, a gente se candidata, dizendo que temos disponibilidade para trabalhar naquela data”.
Com calor, ansiedade e rotinas diversas, o Enem 2025 seguiu no DF com organização, portões no horário e poucas ocorrências, fortalecendo a maratona rumo ao ensino superior.