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quarta-feira, junho 3, 2026

Mulheres de Axé Ocupam Serra da Barriga: Ato Histórico Celebra Ancestralidade Feminina e Clama por Direitos

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Mulheres de Axé celebram ancestralidade e resistem na Serra da Barriga em ato histórico antecipando o Dia da Mulher.

O solo sagrado da Serra da Barriga, berço da resistência negra no Brasil, foi palco de um encontro histórico na última sexta-feira (6). Sob o título “Abraçando a Serra: Mulheres, Memória e Axé”, cerca de 130 lideranças religiosas, representantes de movimentos sociais e acadêmicos se reuniram para celebrar a ancestralidade feminina e clamar por direitos, antecipando as celebrações do Dia Internacional da Mulher.

O evento, uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher (Semu), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Prefeitura de União dos Palmares e lideranças dos terreiros locais, foi um marco de união e força. A vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti, destacou a importância política e de identidade do ato.

“É o momento de nós, mulheres, mostrarmos o nosso poder, a nossa resistência e a nossa fé. Não haveria espaço melhor do que a Serra da Barriga para nos ‘aquilombarmos’ novamente”, afirmou Cavalcanti. A universidade atua desde a década de 1980 na preservação do território, cujas pesquisas fundamentaram o tombamento da Serra como patrimônio histórico.

Reescrevendo a História sob a Ótica Feminina

As lideranças religiosas presentes enfatizaram a necessidade de reescrever a história sob a perspectiva feminina. Mãe Neide, emocionada, relembrou que a fundação do Quilombo dos Palmares deve-se à princesa Aqualtune, figura feminina muitas vezes esquecida pelas narrativas históricas tradicionais, que tendem a focar em figuras masculinas como Ganga Zumba e Zumbi.

“Trazer a história de Aqualtune para o hoje é essencial”, disse Mãe Neide, ressaltando a importância de dar visibilidade às mulheres na construção da história. A fala ressoou com o sentimento de muitas presentes, que viram no evento uma oportunidade de reafirmar sua identidade e legado.

O Solo Sagrado e a Luta por Direitos Atuais

Mãe Miriam reforçou que o solo da Serra da Barriga foi “batizado com o sangue de pessoas escravizadas”. O abraço simbólico ao território serve, segundo ela, como uma plataforma para denúncias e reivindicações atuais. O evento se tornou um espaço para expressar necessidades e combater injustiças.

“É o momento de reclamar o que necessitamos, denunciar os feminicídios e mostrar que somos força e empreendedorismo. A mulher é a parte principal da nossa religião”, declarou Mãe Miriam, evidenciando a força feminina dentro das práticas religiosas e na sociedade. A declaração sublinha o papel central da mulher nas comunidades de Axé.

Reflexão e Documento por Paz e Dignidade

Após o ato simbólico e um almoço coletivo, as mulheres se reuniram em grupos para aprofundar discussões sobre temas cruciais como questões de gênero, discriminação religiosa e saúde. A troca de experiências e saberes fortaleceu os laços e a união entre as participantes.

Ao final do encontro, foi elaborado um documento que expressa os anseios coletivos por uma vida de paz, respeito e dignidade para todas as mulheres. O ato em Palmares reafirmou a importância da memória, da ancestralidade e da luta contínua por direitos e reconhecimento.

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