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Ufal se une à luta contra o feminicídio com instalação do Banco Vermelho em ato simbólico
Em um gesto de profunda importância e conscientização, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) instalou um Banco Vermelho em seu hall da Reitoria, no Campus A.C. Simões. A ação, realizada um dia após o Dia Internacional da Mulher, integra a campanha global dos Bancos Vermelhos, que visa combater o feminicídio e convidar à reflexão e à ação contra a violência de gênero. O evento marca a universidade como a primeira em Alagoas a aderir a essa iniciativa, atendendo ao chamado da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
A instalação do Banco Vermelho em espaços públicos é uma estratégia educativa e de memória, prevista pela Lei 14.942/2024. A campanha nacional incentiva a reflexão com o lema “Sentar e refletir. Levantar e agir”, além de divulgar amplamente o canal de denúncia 180. A iniciativa nasceu na Itália em 2016 e, no Brasil, a ação ocorreu simultaneamente em 30 universidades federais, reforçando um compromisso coletivo em prol da segurança e do respeito às mulheres.
Conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, mais de 1.500 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um dado alarmante que demonstra a urgência de ações como essa. A Ufal, ao se juntar a essa causa, reforça seu papel na promoção de um ambiente mais seguro e igualitário para toda a sua comunidade. A informação foi divulgada pela própria Ufal.
Um Símbolo de Memória e Conscientização
O ato simbólico contou com a participação de representantes da comunidade universitária e de instituições convidadas, além de uma apresentação musical do duo de flauta e violino, com as professoras Ziliane Teixeira e Iannara Farias. A mesa de honra reuniu o reitor Josealdo Tonholo, a vice-reitora Eliane Cavalcanti, a diretora da Faculdade de Direito da Ufal, Elaine Pimentel, e representantes do Ministério Público Federal e da Patrulha Maria da Penha.
A vice-reitora Eliane Cavalcanti destacou que a união da universidade a este ato simbólico representa a força necessária para erradicar o feminicídio e alcançar um futuro com “feminicídio zero”. Ela ressaltou que o banco vazio, pintado de vermelho, é um convite à reflexão sobre as diversas lutas enfrentadas pelas mulheres diariamente, buscando equidade, igualdade e respeito em todos os âmbitos da vida.
“Esse banco vazio representa uma vida que foi retirada, seja a vida de uma mulher trabalhadora, mãe, filha, alguém que ajudava a construir este estado diariamente e que, repentinamente, teve sua vida tirada por um ato de violência”, explicou a vice-reitora, enfatizando o peso simbólico do objeto.
O Banco Vermelho como Alerta Permanente
O reitor Josealdo Tonholo complementou que o Banco Vermelho transcende o mobiliário urbano, devendo provocar indignação e servir como um marco visual permanente de alerta. “Cada um desses números representa uma família devastada. Cada número significa que existem pessoas que gostariam de continuar gritando, mas que não poderão mais fazer uso de sua voz, porque foram silenciadas”, afirmou o reitor, alertando para a necessidade de avançar na reversão da realidade da violência de gênero, que muitas vezes se reflete dentro da própria universidade.
A estudante Beatriz Maciel, integrante da Marcha Mundial das Mulheres na Ufal, compartilhou relatos sobre a vulnerabilidade das mulheres no ambiente acadêmico, fazendo um apelo por ações concretas de apoio. Estudantes presentes também exibiram cartazes com reivindicações por melhorias na infraestrutura da universidade, como iluminação e segurança no campus, evidenciando a necessidade de atenção contínua.
A Luta pela Criminalização e o Valor da Vida Feminina
A professora Elaine Pimentel, diretora da Faculdade de Direito, relembrou a árdua luta pela criminalização do feminicídio, que enfrentou resistência e questionamentos sobre a necessidade de uma tipificação específica para crimes contra mulheres. Ela ressaltou que o desvalor atribuído à vida feminina ainda é um problema grave, evidenciado por casos em que homens presos por feminicídio não são considerados perigosos da mesma forma que agressores de outros crimes.
“Falar de feminicídio é falar de tudo isso, das diversas formas de minar a vida de uma mulher sem necessariamente matá-la”, pontuou a diretora. Ela expressou a esperança de que este momento marque um divisor de águas, reafirmando que a Ufal acolhe todas as mulheres e que o símbolo do Banco Vermelho servirá como um lembrete constante da jornada que ainda precisa ser percorrida.
O ato de instalação contou com o apoio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes). O Banco Vermelho permanecerá na Reitoria como um ponto de incentivo para que mais mulheres busquem ajuda. A denúncia de casos de violência pode ser feita anonimamente através do número 180 ou pelo WhatsApp (061) 99610-0180.