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No mês da Consciência Negra, São Paulo recebe mostras de Sérgio Adriano H no CCBB e de Sonia Gomes no Tomie Ohtake, com obras que confrontam racismo e memória
Em cartaz na capital, duas exposições colocam a Consciência Negra no centro da agenda cultural. As obras abrem diálogo direto sobre racismo, escravização, memória e identidade, aproximando arte e educação.
No CCBB, Sérgio Adriano H apresenta CORpo MANIFESTO, com mais de 100 trabalhos. No Instituto Tomie Ohtake, Sonia Gomes reúne cerca de 80 peças, atualizando o barroco brasileiro e suas marcas no presente.
Conforme informação divulgada em “SP: exposições abordam racismo e história da população negra no país”, ambas as mostras detalham acervos, curadoria e datas de visitação, compondo o panorama da Consciência Negra em SP.
CORpo MANIFESTO no CCBB, corpo, racismo e decolonialidade
A CORpo MANIFESTO reúne obras sobre história, memória e luta do povo negro no Brasil. O artista usa o corpo como plataforma política, enfatizando Consciência Negra, racismo estrutural e decolonialidade.
As mais de 100 obras questionam narrativas sobre a negritude e a identidade negra no país. O recorte busca construir uma identidade empoderada, com foco no presente, sem perder a dimensão de memória e reparação.
Celebrando 25 anos de trajetória, esta é a primeira grande exposição individual de Sérgio Adriano H. A mostra convida o público a revisitar histórias silenciadas e a refletir sobre cidadania e justiça racial.
De acordo com a fonte, “A entrada é gratuita e tem duração até 9 de fevereiro do ano que vem.” O período estendido amplia o acesso, favorecendo agendas educativas e visitas que dialogam com a Consciência Negra.
Arte além das paredes e curadoria em tom de manifesto
Uma instalação inédita ocupa vitrines do Espaço Anexo do CCBB. A proposta apresenta uma arte que transborda o museu, alcança a rua e provoca contato direto com corpos e trajetos não habituais.
“A vitrine se torna uma extensão do meu trabalho, que busca levar a arte para todos os lugares. A ideia é criar uma conexão direta com as pessoas que não se sentem convidadas a entrar nos espaços culturais”, afirmou o artista.
“É a arte além das paredes que ultrapassa os limites de espaço, expectativa, cor, credo, classe social. É essa potência que me move, transborda as paredes do museu e alcança as pessoas nas ruas”, acrescentou Sérgio Adriano H.
Para os curadores Juliana Crispe e Claudinei Roberto da Silva, a mostra pede revisão histórica e reposiciona o papel da arte. O recorte dialoga com educação, cidadania e Consciência Negra como prática contínua.
“Que essa exposição seja um manifesto para a história do Brasil, que precisa ser interrogada e reconstruída, ativando a educação como campo de ação e transformação. Que cada pessoa que visite CORpo MANIFESTO possa questionar seu papel e refletir sobre sua atuação nos processos de mudança nesta sociedade”, apontou Crispe.
Sonia Gomes, Barroco no Instituto Tomie Ohtake
No Instituto Tomie Ohtake, Sonia Gomes – Barroco fica em cartaz até 8 de fevereiro de 2026. A mostra ilumina a tradição barroca brasileira e o trauma histórico de um país escravocrata.
Com curadoria de Paulo Miyada, o projeto reflete o barroco como testemunho do trabalho, da técnica e da arte de pessoas africanas e afro-brasileiras. A leitura se alinha à Consciência Negra e ao debate antirracista.
São cerca de 80 obras, incluindo materiais do ateliê, exibidos pela primeira vez. Tecidos, linhas, cordas, arames e objetos cotidianos viram esculturas e instalações que religam corpo, território e ancestralidade.
A exposição passou por Ouro Preto e Salvador, cidades basilares do barroco. Em São Paulo, a artista condensa essa herança, recriando modos de fazer, com dimensão sensorial e política acessível ao público amplo.
Segundo Miyada, “Sonia Gomes nos instiga a pensar o barroco como algo mais do que um estilo artístico constituído na Europa e transplantado, com distorções e contradições, a outras geografias. Essa é uma história inacabada, inacabável até, e a artista é uma de suas protagonistas, reivindicando a beleza para assombrar o mundo e desmanchar seus mitos autoritários de pureza, unidade e progresso.”
Ao aproximar barroco, memória e presente, a mostra tensiona mitos de pureza e unidade. A poética de Gomes convoca a Consciência Negra como prática de emancipação, reparação e invenção.
Em diálogo com o CCBB, a experiência no Tomie Ohtake sublinha a dimensão coletiva. As obras criam pontes entre história e futuro, abrindo espaço para escuta, cuidado, educação e circulação de saberes.
Para o público, o conjunto em SP oferece caminhos de fruição e aprendizado. São percursos pensados para ampliar acesso, estimular trocas e consolidar a Consciência Negra como pauta permanente da cidade.