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quarta-feira, junho 3, 2026

Fornazieri defende Brasil como primeiro a adotar o Mapa do Caminho após a COP30, liderando a transição dos combustíveis fósseis com apoio de 80 países

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Professor da FESPSP diz que Brasil deve dar o exemplo, traçar seu Mapa do Caminho agora e liderar a transição, mesmo sem aval da ONU, com a COP sob presidência do país

O professor Aldo Fornazieri, da FESPSP, defendeu que o Brasil seja o primeiro a adotar o Mapa do Caminho, e que assuma a liderança climática ao transformar a proposta em política concreta e mensurável.

O Mapa do Caminho foi apresentado pelo Brasil na COP30 como roteiro para afastamento de combustíveis fósseis, emissores de gases de efeito estufa. Não entrou no documento final, mas recebeu apoio de mais de 80 países.

Para ele, o país precisa dar o exemplo e agir já, mesmo sem consenso na ONU. O debate ganhou força no encontro Pós-COP30 na sede da FESPSP, em São Paulo, conforme informações apresentadas no evento.

O que propõe o Mapa do Caminho

A ideia de Mapa do Caminho é um roteiro nacional de metas e prazos para reduzir, e depois eliminar, o uso de combustíveis fósseis. O foco é orientar a transição energética, com transparência e acompanhamento contínuo.

Segundo as falas oficiais, cada país deverá elaborar seu próprio Mapa do Caminho, com etapas claras. Países ricos já planejaram trajetórias, enquanto nações em desenvolvimento ainda precisam estruturar seus planos.

Brasil sob pressão para dar o exemplo

Em sua fala, Fornazieri pediu ação imediata. “Nós temos o dever agora, já que o [presidente] Lula lançou essa ideia boa, de cobrar que o Brasil seja o primeiro a traçar o Mapa do Caminho aqui. Quer dizer, não é o fato de a ONU [Organização das Nações Unidas] não ter abraçado essa ideia de forma decisiva que agora o governo tem que se eximir. Se o presidente lançou a ideia, então o Brasil é obrigado a construir o mapa do caminho”.

Ele reforçou a necessidade de liderança. “Até para o Brasil ser líder dessa questão, e ele tem legitimidade para isso, tem que dar o exemplo, assumir essa responsabilidade”.

COP30, apoio internacional e próximos passos

Na COP30, a proposta não alcançou unanimidade, e ficou fora do texto final. Ainda assim, o Mapa do Caminho foi apoiado por mais de 80 países, sinalizando convergência em torno da transição energética.

A ministra Marina Silva destacou que o tema segue vivo. “O Mapa do Caminho já não é mais uma proposta apresentada pelo Brasil, pelo presidente Lula, mas por dezenas de países e por milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, chancelada pela comunidade científica”, disse Marina.

Ela afirmou que a discussão seguirá nos próximos meses entre os países, e que o Brasil segue na presidência da COP até novembro de 2026, ampliando o espaço para costurar acordos e guiar a agenda climática.

Desafios para países em desenvolvimento

Marina projetou diferentes ritmos. “Um país rico, eu imagino que todos já têm seus mapas do caminho, já têm suas trajetórias muito bem planejadas. Agora, países em desenvolvimento, pobres, dependentes inclusive de petróleo em suas economias, não têm essas trajetórias. É por isso que é muito importante o esforço que será feito”.

Nesse contexto, o Mapa do Caminho pode orientar investimentos, metas de redução de emissões e substituição de combustíveis fósseis por fontes limpas, com foco em segurança energética e justiça climática.

Para Fornazieri, adotar cedo o Mapa do Caminho posiciona o Brasil como referência regional, fortalece a credibilidade do país e ajuda a mobilizar apoio político e financeiro para a transição.

Ao dar o exemplo, o Brasil pode elevar a ambição global, conectar ciência e política climática e pavimentar acordos que consolidem o Mapa do Caminho como instrumento de governança da transição energética.

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