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quarta-feira, junho 3, 2026

Marcha das Mulheres Negras em Brasília, Anielle Franco diz esperar que mulheres sejam ouvidas, memória de Marielle, segurança e racismo ambiental em foco

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Na véspera da Marcha das Mulheres Negras, Anielle Franco pede escuta e união, com foco em segurança pública, direitos sociais e memória de Marielle

Às vésperas da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, Anielle Franco se emocionou ao lembrar Marielle Franco e reforçou o pedido por escuta ativa.

A ministra participou de roda de conversa com Marina Silva, Benedita da Silva e Erika Hilton, em encontro do Movimento Mulheres Negras Decidem.

As falas ocorreram na segunda, 24 de novembro de 2025, em Brasília, com presenças confirmadas de delegações estrangeiras, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.

Voz e memória na Marcha das Mulheres Negras

Para Anielle, a Marcha das Mulheres Negras é símbolo de luta coletiva e espaço de escuta para mulheres negras de todo o país.

Em lembrança à irmã, disse, “Há 10 anos, eu me lembro da minha mãe e da minha irmã, comentando, se aprontando [para a marcha]. Hoje eu fico pensando onde ela estaria. Certamente estaria na marcha conosco hoje”.

A ministra pediu atenção ao amor, ao apelo e à luta, citando a necessidade de escuta e de compromisso com a equidade racial em políticas públicas.

Ela afirmou que o ato também honra a memória de vítimas, como “Seja a Marielle, seja a mãe Bernadette [liderança quilombola assassinada em agosto de 2023], sejam tantas outras lideranças que nós tivemos”.

Segurança pública e direitos no centro da pauta

Segundo Anielle, segurança pública é prioridade, em especial após as 122 mortes no Rio de Janeiro durante a Operação Contenção.

Ela relatou a presença de mães de vítimas do Complexo do Alemão e da Penha, dizendo, “A gente está aqui com mães do Complexo do Alemão e da Penha. E essa dor… só quem passa entende”.

A marcha também levará demandas por educação, saúde, cultura e lazer, além de políticas de proteção a lideranças negras e quilombolas.

A expectativa, disse Anielle, é que governos e sociedade respondam com ações concretas e orçamento para garantir direitos sociais.

Racismo ambiental e combate às discriminações

Para Marina Silva, o debate sobre racismo ambiental deve ganhar força durante a Marcha das Mulheres Negras.

Ela afirma, “São os que pagam as piores consequências por estarem nos piores espaços para morar e terem as piores condições de infraestrutura”, ao explicar o impacto climático desigual.

Marina disse ser esperado o reforço de pautas contra todas as formas de discriminação e pela efetivação de direitos que já viraram lei.

Para a ministra, é urgente transformar legislação em prática, com foco em quem vive maior vulnerabilidade, como comunidades negras e indígenas.

Trabalho, liderança e mães solo em evidência

Marina também defendeu o direito ao trabalho e ao empreendedorismo para mulheres negras, com suporte adequado e crédito.

Ela pontuou, “Muitas vezes as oportunidades para o empreendedorismo não vêm para elas na mesma intensidade e com a mesma qualidade de suporte”, cobrando acesso real.

No mercado, a sub-representação em cargos de liderança segue crítica, tanto no setor público como no privado, e exige medidas afirmativas.

A paulistana Pamella de Jesus, operadora de telemarketing e sindicalista, resume, “Pelo menos 90% das trabalhadoras são negras. Muitas mães solo como eu”.

Ela relata jornadas longas e metas abusivas, com maior exposição a assédio moral e sexual, dizendo, “Fazemos longas jornadas e recebemos metas inalcançáveis”.

Pamella destaca a conquista da licença maternidade de 180 dias para a categoria, afirmando, “Faz muita diferença”, e reforça a importância da marcha.

Com delegações internacionais confirmadas, o ato pretende amplificar a voz das mulheres negras e cobrar respostas do poder público.

Na Marcha das Mulheres Negras, o recado, como disse Anielle, é simples, “A nossa expectativa é que, de fato, as pessoas nos escutem, escutem o nosso amor, o nosso apelo e a nossa luta”.

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